<%@LANGUAGE="JAVASCRIPT" CODEPAGE="65001"%> A NUDEZ DOS FALOCRATAS

A NUDEZ DOS FALOCRATAS

     Brasigóis Felício nasceu em Aloândia (Go) em 1950. Tem 20 livros publicados, entre obras de poesia, conto, romance, crônica e crítica literária. Em sua bibliografia destacam-se Hotel do tempo,   poesia, (Editora Civilização Brasileira, l982); Monólogos da Angústia, contos, (Prêmio Bolsa de Publicações Hugo de Carvalho Ramos, Diários de André, romance censurado e apreendido em 1976, por ordem do ex-ministro da Justiça, Armando Falcão; Viver é devagar, crônicas, l998, Literatura Contemporãnea em Goiás, crítica literária,  O tempo dos homens sem rosto,  poesia, Editora Estação Liberdade, e Memória da solidão, contos, Coleção Karajá, da Agência Goiana de Cultura.  

 

O homem freudiano
respira mal:
tem o peito
trancado a sete chaves
de angústia, e tem na alma
muralhas de medo. 

Nas masmorras dos nervos
trancou o cerne do Ser.
o falocrata coloca o pênis
em um altar, e adora
como a um Deus
o eu vê como domínio
muito longe do prazer. 

No esforço egolátrico
de dar a entender
aos varões assinalados
que é atleta sexual,
perdeu a emoção
da autenticidade.
não sabe sentar
e conversar,
quanto mais
amar o mar. 

Só tem palavras
para vangloriar-se
de efêmeras façanhas
feito flatos
com que inflaciona
a desordem do mundo. 

II 

A quem a fala
Ficou no falo,
falácia de quem
se compraz
em ser mendaz
Mefisto-félico,
a pretexto de ser
animal político,
criatura
aristotélica
cartesianamente
correta
em só crer
no que vê: 

O mistério de quem
faz do falo
arma de fogo
é não ter
mistério algum
para mostrar
ou esconder 

Fica na fraude
de quem faz pipi
nas fraldas do Ser
em seu negar-se
a aprender
que a fonte
da juventude
é a mulher.

Brasigóis Felício

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