Neste milênio em que estamos
atravessando, uma grande parte da humanidade, não
a parte da humanidade massa, mas, uma pequenina humanidade
elite, está entrando numa nova dimensão
de consciência. Está ultrapassando a crença,
sem cair na descrença. Há uma grande elite
que não está dispensando a crença
para cair na descrença, o que seria uma involução,
um regresso. Está ultrapassando a crença
para descobrir uma nova dimensão do espírito,
a qual eu chamo a experiência pessoal de Deus. Não
a crença num deus do passado, num deus à
distância, para além da via Láctea
e das galáxias do universo, o que seria a crença,
que é necessário para a humanidade dos principiantes,
pois é melhor a crença do que a descrença.
Mas quando a humanidade chega a certa altura da sua maturidade
espiritual, a humanidade está ultrapassando a crença
de um deus longínquo, de um deus do futuro ou do
passado e está entrando da experiência de
um Deus presente, de um Deus aqui e um Deus agora. Essa
é a grande humanidade que está acontecendo
nos últimos.
Há uma elite cada vez maior
na humanidade, dentro e fora do cristianismo, pessoas
que já entram na experiência direta e imediata
de Deus, que estão começando a realizar
a consciência de Deus aqui e agora e que vão
continuar por toda a eternidade.
Naturalmente nesta experiência
de Deus, ao invés de uma crença de Deus,
supõe que se tem uma idéia mais exata de
Deus do que o grosso da humanidade. O grosso da humanidade
só conhece o deus do passado e o deus do futuro;
só conhece o deus ausente, não conhece nada
do Deus presente. Mas, se é verdade que Deus esta
Onipresente e a Sua Presença não está
localizada em algum espaço de tempo, se Deus está
Onipresente, presente aqui e acolá, igualmente
Presente em toda parte, então Deus é espírito
Universal e não pode ser uma pessoa individual,
pois uma pessoa não pode estar onipresente. Mas
o Espírito pode estar Onipresente; pode estar no
mineral, no vegetal e no homem, pode estar em qualquer
tempo e espaço do Universo.
Quando se tem a consciência
dessa Onipresença de Deus, pode-se então,
chegar a uma experiência direta de Deus. Por que
se Deus está presente em mim, porque é que
eu não poderia ter uma experiência direta,
real e verdadeira deste Deus presente em mim?
Muitas pessoas falam de Deus; Deus
é a palavra mais usada e mais abusada que existe
na humanidade. Todo mundo fala de Deus, prós ou
contras. Também os ateus falam de Deus: eles têm
uma absoluta certeza de que Deus não existe, mas
falam sempre em Deus para rejeitar. Os crentes falam de
Deus para aceitar. Muitos falam de Deus, mas isso não
resolve nada. Falar de Deus seja pró, ou seja,
contra, não resolve os problemas da humanidade.
Outros até falam com Deus, o que eles chamam rezar,
orar. Isto já é um pouco melhor do que falar
de Deus, pois é um prelúdio, mas não
é uma solução definitiva. Nem falar
de Deus e nem falar com Deus, resolve o problema central
da humanidade.
Vejamos uma terceira atitude que não
é nem falar de Deus e nem falar com Deus: permitir
que Deus nos fale. Essa é uma grande coisa que
apenas alguns descobriram... Permitir que Deus nos fale!
Esses são os grandes iniciados, que são
poucos por enquanto, mas que existiram em todos os tempos.
Moisés, Elias, Jesus, Francisco de Assis, Buda,
Mahatma Gandhi, todos mantinham momentos de silêncio
para permitir o ambiente interno necessário para
que Deus pudesse lhes falar. Todos estes grandes místicos
que descobriram que a solução de todos os
problemas da vida consiste em permitir que Deus nos fale.
Mas esta é uma arte muito difícil! Não
há 1% da humanidade, nem da cristandade, que consiga
aprender sofrivelmente esta arte de se calar, porque para
que Deus me possa falar, eu me devo calar. Enquanto eu
falo, Deus se cala. Só se eu me calar, então
Deus tem a oportunidade para me falar. Mas é muito
difícil a gente se calar! Você pensa que
é fácil? Você está calado agora,
o que não adianta nada! Este ficar calado materialmente
não resolve nem um pouco, pois calar fisicamente
é muito fácil. A gente vai para um deserto,
uma floresta, uma caverna ou se isola entre quatro paredes
e estamos fisicamente em silêncio. Não resolve
nada o silêncio físico, porque nós
carregamos conosco nosso ruído mental: nossos pensamentos!
Você pode desfazer-se dos seus pensamentos durante
cinco minutos, meia hora, uma hora... Ou durante vários
dias, como fizeram vários destes místicos
citados no texto acima? Você é capaz de ficar
mentalmente silencioso durante um determinado período
de tempo? Isto é muito difícil para o grosso
da humanidade porque somos bombardeados constantemente
pelos nossos próprios pensamentos. A grande maioria
não consegue se esvaziar de seus próprios
pensamentos nem por cinco minutos.
Este é o ruído mental
que impede que Deus nos fale. Deus não fala enquanto
eu não me calar mentalmente! Mesmo que eu cale
fisicamente, não resolve! É preciso entrar
num silêncio mental. Alguns conseguem evitar o barulho
mental, que se chama pensamentos, mas não conseguem
se livrar de um outro ruído que se chama ruído
emocional: os nossos queridos desejos, as nossas afetividades
de todas as espécies! Sempre desejamos alguma coisa
e enquanto nós desejamos, queremos alguma coisa,
não estamos em nosso vazio e Deus não tem
licença para nos visitar. Deus não pode
nos falar enquanto nós não nos calarmos
mentalmente e emocionalmente durante certo período
de nossa vida e isso é muito difícil para
o grosso da humanidade.
Mahatma Gandhi, o grande libertador
místico da Índia e dos nossos tempos, dizia
aos seus amigos:
"Reduzi a nada os vossos sentimentos.
Reduzi a nada, os vossos pensamentos. Reduzi a nada, os
vossos desejos".
E depois de ouvir isto, os amigos
de Mahatma Gandhi lhe diziam:
Depois desses três nadas, o
que é que sobra de mim? Se eu reduzir a nada o
meu ego físico-mental e emocional, o que é
que sobra de mim?
E Mahatma Gandhi, sorrindo lhes respondia:
Sobra Deus e chega!
Mas os discípulos de Mahatma
Gandhi não podiam compreender isto tão depressa.
Aparentemente não sobra nada, porque quando nós
não sentimos, pensamos e não queremos nada,
parece que não existimos mais - não temos
mais consciência de nós. Porque nós
vivemos na estranha ilusão de que quando não
se pensa nada, então a gente não tem consciência.
Muitos quando não pensam e não querem nada,
adormecem, caem no transe ou na auto-hipnóse. Isso
não resolve nada. Isto não tem o poder de
resolver nenhum dos problemas da nossa vida espiritual.
Mas alguns já descobriram que
podemos nos esvaziar de qualquer pensamento, desejo e
apesar disso, ficar plenamente consciente em espírito
e verdade. É preciso ficar 100% consciente e 0%
pensante. Quando se afirma isso, muitos que estão
adentrando no mundo da prática meditativa, afirmam
que o que está sendo pedido é demais, que
se está pedindo por "um círculo-quadrado".
Muitos principiantes pensam que quando não pensamos
nada, não estamos conscientes, mas, com o decorrer
da prática, descobrem que se pode ficar sem pensar
e desejar nada e ficar plenamente consciente do espírito
e da verdade. No entanto, esta descoberta não vem
logo no princípio: ela vem aos poucos! E quando
descobrimos que podemos ficar 100% consciente no nosso
Eu-espiritual, sem nenhum processo de pensamento e de
emoção em nosso Ego-mental-emocional, então
ocorre a grande experiência do despertar espiritual,
a grande libertação, a verdadeira iniciação.
Então, estes iniciandos e iniciados,
tem a experiência da presença de Deus. Então,
sabem por experiência própria, que crer em
Deus é muito bom, mas que ter certeza de Deus,
não é apenas crer em Deus. Por que eu posso
crer em Deus hoje, e descrer amanhã. Eu posso fazer
ida e volta; muitos fazem isso: hoje são crentes,
amanhã são descrentes. Da crença,
passam para a descrença, do teísmo, passam
para o ateísmo. Isto acontece a todos os humanos,
quando ainda se encontram no período da crença,
onde pode existir a ida-e-volta da crença. Mas,
quando se tem a experiência direta de Deus, não
há mais ida-e-volta... só há ida!
Ninguém pode ter a experiência de Deus hoje
e perdê-la amanhã. Isso é absolutamente
impossível! A Experiência dá a certeza
absoluta de Deus. A crença nos enche de dúvidas.
Por isso se faz necessário transpor os limites
da crença para a experiência.
A experiência dá a certeza
de que Deus é uma Realidade, de que a vida após
morte é uma realidade, que a minha alma é
uma realidade. Porque se eu tenho a experiência
de alguma coisa eu nunca mais posso ignorar amanhã,
o que eu sei hoje! Isso é tão certo como
2X2 são 4. A experiência dá a certeza
absoluta e eterna em todas as condições.
Por isso, é de absoluta necessidade
que todo homem que queira ter paz, tranqüilidade,
firmeza e felicidade em sua vida interior, deve, cedo
ou tarde, passar da crença para a experiência.
Esta é a única coisa necessária:
ter a certeza pela experiência direta de Deus. De
maneira que, se isso é tão importante para
a nossa tranqüilidade interior, segurança,
firmeza e felicidade, mesmo em meio de sofrimentos, não
valeria a pena, tratarmos seriamente de adquirir experiência
e certeza absoluta de Deus, não por uma crença
vaga e longínqua, mas por uma experiência
direta e imediata? Mas como é que se faz isso?
Hoje, todo mundo fala em meditação.
Nunca se fez tanta meditação como hoje em
dia. Em outros tempos, meditação era só
para os Indianos, para os jovens do Oriente, para Frades
e Freiras dos conventos, mas para o homem da indústria,
do comércio, da ciência, da universidade,
dos laboratórios... Eles faziam outras coisas.
Hoje em dia, estes mesmos homens, dedicam pelo menos meia
hora do seu dia à meditação.
Meditação não
é outra coisa a não ser calar-se para que
Deus possa nos falar. Deus não fala pelo barulho,
só fala pelo silêncio. Se alguém não
consegue ficar silencioso, nunca vai saber nada de Deus;
pode crer em Deus, e é bom que o faça, mas
nunca vai ter nenhuma certeza de Deus, pois a certeza
vem com a experiência, conseguida pela meditação
em silêncio. Meditação não
é pensar em alguma coisa. É esvaziar-se
de todos os pensamentos e desejos próprios e ficar
plenamente consciente.
Segundo Leis eternas, onde há
uma vacuidade acontece uma plenitude. Se eu me esvazio
dos meus desejos e dos meus pensamentos é absolutamente
certo que me vai acontecer uma experiência direta
de Deus, capaz de trazer a plenitude. A plenitude de Deus
flui para dentro da minha vacuidade. Onde há um
ego-esvaziamento, ocorre uma Téo-plenificação.
O problema não e a plenificação,
pois esta sempre vai acontecer, o nosso problema está
no ego-esvaziamento: Como é que eu vou me esvaziar
dos meus conceitos, crença e condicionamentos da
minha egoidade humana, dos meus pensamentos, dos meus
desejos, para que a Graça de Deus possa me plenificar
com a sua riqueza? Este é o nosso grande problema!
Se queremos obter a certeza através
da experiência, temos que prestar atenção
onde estão acertando os religiosos. Estudar a vida
daqueles que o conseguiram. As grandes experiências
meditativas nos vem do Oriente. Existe hoje em dia, uma
pequena elite que está descobrindo cada vez mais
a alma da mensagem destes grandes homens, destas grandes
"setas orientadoras". "Conhecereis a Verdade",
disse um dos maiores mestres, "e a Verdade vos libertará!"
A libertação pela Verdade, pelo Conhecimento
e pela vivência da Verdade. O conhecimento da Verdade
se chama mística e a vivência da Verdade
se chama ética. Toda lei da vida prática
e toda a experiência de todos os grandes experientes
da inspiração mística resumem-se
na expressão: "Amarás a Deus sobre
todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo!".
Esta é a maior mensagem espiritual dita nestes
últimos dois mil anos. Esta experiência traça
uma linha vertical e uma linha horizontal; a linha vertical
da mística e a linha horizontal da ética.
A linha vertical: o amor entre o homem e Deus. A linha
horizontal: o amor entre o homem e todas as criaturas
humanas. A consciência da paternidade/maternidade
única de Deus, transbordando na vivência
da fraternidade universal dos homens. Esta foi a maior
mensagem já proclamada neste planeta Terra nestes
dois mil anos. Amor para cima e amor para todos os lados...
Mística e ética.
Estamos diante de uma nova humanidade.
Uma pequenina elite está entrando cada vez mais
na experiência de Deus. Mas esta elite é
qualidade e não quantidade. A qualidade sempre
será mais importante que toda quantidade. Para
fazer parte da elite espiritual, é absolutamente
necessário a cada dia, somente 2% do seu tempo,
o que representa meia hora do seu tempo diário,
para se encontrar conscientemente com Deus. Quem se dedicar
a esta prática diária terá mudanças
em toda as áreas de sua vida: espiritual, mental,
emocional, social, afetiva e doméstica... Tudo
vai melhor! Mas quem quer se dedicar isto? Hoje, para
muitos de nós, às 24 horas do dia são
divididas da seguinte maneira: 8 para o trabalho obrigatório,
8 horas para o sono e 8 horas para os divertimentos. Se
continuarmos com este programa horário, continuaremos
a ser "eternos analfabetos espirituais": nunca
saberemos nada, nem de nós e muito menos de Deus.
Não seria bom mudar um pouco este programa horário
para que a vida se torne mais qualitativa em sua horizontalidade?
Será que não vale a pena se ausentar por
meia hora de todas as coisas do nosso ego humano, físico,
mental e emocional e se concentrar totalmente no Eu espiritual,
de forma constante, na melhor meia hora do dia? Qual é
a melhor meia hora do seu dia? Estabelecer um grande e
verdadeiro silêncio interno, uma vacuidade, um ego-esvaziamento...
para experimentar uma Cosmo-plenitude... a transformação
da vida pela ação da Graça!
Esta é a experiência
de todos os grandes místicos, de todos os grandes
homens realmente felizes que tem vivido na face deste
planeta. Eles fizeram justamente isto e verificaram que
deu certo. Então, porque continuamos a ser eternos
analfabetos desta arte sublime do nosso contato consciente
com Deus? Entramos neste mundo no marco zero.
Quando entramos neste mundo pelo nascimento,
não tínhamos nada. Nossos pais nos deram
o primeiro impulso para o nosso corpo, e depois que nascemos,
tivemos que completar nosso corpo nos alimentando. Tiramos
da natureza as energias necessárias para completar
o nosso corpo. Nosso corpo é um produto dos nossos
pais e da natureza e será devolvido daqui a pouco
à natureza. Nosso corpo foi emprestado e o que
foi emprestado pela natureza, deve ser devolvido. E depois?
Se entramos no marco zero durante nosso nascimento e se
vamos sair novamente no marco zero quando da hora de nossa
morte, para que viver tantos anos? Para passar de um zero
para outro zero? Não podemos levar nada do exterior
juntamente conosco. O grosso da humanidade passa toda
a sua existência somente nos "teres da vida",
vivendo em vão. Sobre o grosso desta humanidade,
devia-se colocar uma lápide sepultural depois da
morte e escrever na mesma o seguinte:
"Aqui jaz os restos mortais de
fulano, que viveu durante tantos anos sem saber o porque!"
Que coisa triste! Declaração
de falência total! Não seria bom sairmos
deste patético modo de vida? Será que posso
levar comigo alguma coisa? POSSO!... não daquilo
que eu tenho, mas sim, daquilo que eu sou! Não
daquilo que eu recebi de fora, mas sim daquilo que eu
mesmo fiz de dentro de mim. Valores espirituais eu posso
levar comigo, objetos não posso levar! Dizia Einstein:
"Do mundo dos objetos, não há nenhum
caminho que conduza ao mundo dos valores, por que os valores
vem de outra região!". Os objetos vêm
de fora, os valores vem de dentro. Logo, devíamos
pensar seriamente em criar valores. Valores são
coisas criadas pela nossa consciência. Não
são fabricados pela nossa inteligência que
só pode produzir objetos, fatos da natureza. Só
podemos levar conosco valores da nossa consciência.
Mas o que é isso? Valor não é um
fato, não é um objeto, não tem peso,
não tem cor, não tem tamanho... Ninguém
pode dizer quantos peso tem um valor, quantos metros tem
um valor... Valor é uma criação da
nossa consciência: Verdade, Justiça, Honestidade,
Sinceridade, Amizade... Isto são valores! Somos
criadores de valores e descobridores de fatos! Mas os
fatos estão entre o 0 do nascimento e o outro 0
da morte e nenhum fato pode nos acompanhar! Nada pode
nos acompanhar a não ser os valores. Por isso dizia
um grande mestre: "Uma só coisa é necessária!"
Einstein, em um dos seus livros dizia:
"Por que é que todas as
Igrejas prometem o céu aos bons e não aos
inteligentes?"
E depois ele responde:
"As Igrejas tem razão...
os inteligentes descobrem os fatos da natureza que já
existiam antes deles, mas os bons, criam os valores da
sua consciência que não existiam antes deles
e que eles criaram. Por isso é muito mais importante
criar valores que descobrir fatos".
Até parece um místico
falando e não um matemático, se bem que
o matemático também é um místico
ao seu modo, porque a mística não é
outra coisa do que a consciência da realidade e
a matemática também o é.
O homem bom é um criador de
valores dentro de si. Um homem inteligente é apenas
um descobridor de fatos fora de si. O que está
fora de nós, não podemos levar conosco,
o que está dentro de nós, podemos levar
conosco. Valores são eternos, fatos são
coisas temporárias. Ninguém pode criar valores
dentro de si, eternos e indestrutíveis se não
tiver experiência da realidade espiritual. Esta
Realidade se chama de Deus, que está fora de nós,
e de alma que está dentro de nós e que é
a mesma coisa. Um Deus transcendente se chama "a
divindade" e um Deus imanente se chama Deus em nós,
a nossa alma. E nós, levamos conosco somente o
nosso Deus imanente, a nossa alma. Por isso dizia o maior
dos iniciados: "Que proveito há para o homem
em ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?" Uma
sabedoria lógica e matematicamente certa!
A nova humanidade é a humanidade
da experiência. Mas a experiência é
absolutamente impossível no nosso programa diário
se nós não modificarmos profundamente nosso
programa de cada dia, nossas 24 horas, nós nunca
vamos ultrapassar a crença infantil para adentrar
na experiência da adultes espiritual. Não
é possível por que a crença vem de
fora, vem da aceitação de testemunhos alheios,
mas a experiência vem de dentro, é a aceitação
da nossa própria certeza interior, que nos dá
absoluta firmeza, tranqüilidade e felicidade indestrutível.
Mas esta experiência do mundo espiritual não
é possível dentro do programa da nossa vida
diária que muitos estão levando até
agora! Se não tomarmos a sério a modificação
do nosso programa diário, nunca poderemos chegar
a experiência do despertar espiritual.
Todo mundo hoje em dia quer começar
a meditar, mas os livros complicam tanto a meditação,
que as pessoas ficam com medo da meditação.
Quase todos os livros que conheço sobre a meditação
desanimam o leitor desde o principio porque exigem "técnicas
meditativas..." técnica A, técnica
B, técnica C... e assim por diante. Não
há nenhuma técnica! Se existe uma técnica
é o silêncio e não é nenhuma
técnica: é simplesmente se esvaziar de todos
os conteúdos humanos e ficar à disposição
do Infinito... uma disponibilidade espiritual em face
ao Infinito, nada mais é necessário. Fazer
de si uma completa vacuidade...
Isso exige algum exercício
porque os nossos pensamentos são tirânicos!
No geral, não pensamos aquilo que queremos. Somos
bombardeados pelos nossos pensamentos! O nosso cérebro
é uma praça pública por onde passam
milhões de homens, mulheres e automóveis
buzinando por todo lado! O nosso cérebro é
uma praça pública invadido por todos os
pensamentos sem a nossa licença! Os pensamentos
entram e saem como todos os vagabundos entram e saem pela
praça pública. E nós permitimos a
passagem dos pensamentos pelo nosso cérebro. Desse
modo, é impossível ter a experiência
direta de Deus. É preciso transformar a praça
pública do nosso cérebro num santuário
silencioso de Deus! Você pensa que é fácil?
Isto é um grande problema, mas é possível!
Os nossos pensamentos não nos
obedecem. Não somos capazes de inicio, de ficar
um só minuto sem pensar em nada. Nossos pensamentos
são tirânicos e nós amamos os nossos
queridos tiranos chamados pensamentos. Os pensamentos
nos maltratam e nos tiranizam de todos os modos e mesmo
assim, gostamos deles. Pior ainda as nossas emoções,
as nossas afetividades. Somos tiranizados pelas nossas
emoções. Nós não temos controle
sobre nossas emoções, somos eternos adictos
de nossas emoções.
Quando é que vamos nos libertar,
proclamar a nossa independência mental e emocional?
Quando é que vamos proclamar o nosso "treze
de maio emocional"? Nós não somos donos
dos nossos pensamentos, somos escravos dos mesmos! A grande
mudança é poder ter os pensamentos que queremos
ter e não os que devo. É não obedecer
aos pensamentos, mas dar ordem aos mesmos. É não
obedecer as minhas emoções, mas dar ordens
às mesmas. É dizer aos pensamentos e as
emoções: "vocês podem entrar
na minha cabeça mas eu não vou dar vida
à vocês!".
Enquanto não formos capazes
de discriminar entre pensamentos e emoções,
positivos e negativos, seremos eternos joguetes dos mesmos.
O grande problema está em transformar escravidão
em liberdade. A impotência em domínio. Por
que sem isto não é possível fazer
meditação. Primeiro temos que ser donos
dos nossos pensamentos, sentimentos e emoções.
Declarar nossa independência. Quem não declara
independência sucumbe à tirania dos seus
pensamentos. Portanto, temos que fazer isto! E com o exercício
permanente conseguimos chegar a isto. No princípio,
ninguém consegue ficar um minuto sem ser bombardeado
pelos seus pensamentos e emoções. Depois
de muito exercício, conseguimos um minuto. A alma
passa a mandar porque existe alguém dentro de nós
que É maior do que todos os nossos pensamentos:
a nossa consciência espiritual, que também
pode ser chamada de Eu, Cristo, Buda, Alma... tudo isto
é a mesma coisa!
Mas, poucos conseguem entregar às
rédeas do seu governo à sua consciência
espiritual. Depois de muito exercício fracassado,
conseguem colocar disciplina, ordem e obediência
em seus pensamentos, sentimentos e emoções.
E pouco a pouco, se torna fácil pensar no que queremos
e no que não queremos; mandar embora os pensamentos
e ficar só com a consciência... A consciência
sozinha, sem os pensamentos! E quando os pensamentos obedecem
à consciência, a mesma pode dar licença
para os pensamentos entrar. Se ele é bom, pode
entrar, se não é bom, pode ir embora! Pouco
a pouco, nossos pensamentos e emoções se
tornam obedientes servidores de confiança de nossa
majestade divina: a nossa consciência. E então
nós podemos passar a aceitar os nossos pensamentos
e emoções que queremos, porque eles são
crianças obedientes e dóceis de nossa consciência.
Então, passamos a nos sentir
soberanos e felizes por não sermos mais escravizados
por nossos pensamentos e emoções. Passamos
a ser donos de nossos pensamentos e emoções,
isso depois de muito tempo! E não precisamos mais
viver em solidão...por que no principio temos a
necessidade de nos retirarmos para locais de solidão
para a pratica da meditação (que é
uma meditação), ou à solidão
de um retiro espiritual. Isso se faz necessário
para os principiantes: a solidão e o silêncio.
Mas, para as pessoas que já ultrapassaram o ABC,
isto pode ser feito no meio da sociedade, no meio do escritório,
da escola, da casa, transporte, da praça publica,
das ruas, a gente pode estar rodeado de barulhos, em profundo
silêncio. Pode estar silencioso por dentro e ruidoso
por fora. E o ruído não faz mal porque já
não é mais venenoso como no principio, tornou-se
um ruído sadio. Podemos permitir todos os ruídos
da sociedade, sem sermos envenenados pelos ruídos
porque nos acostumamos a dar ordem aos nossos pensamentos,
sentimentos e emoções.
A grande libertação
começa no Silêncio e termina no trabalho
em meio ao barulho da sociedade. Para os principiantes
é necessário fazer meditação
e retiro espiritual em silêncio. Mas para os finalizantes,
isto é possível no meio da sociedade, porque
tudo que estamos fazendo e que hoje chamamos de autoconhecimento
e de autorealização, não é
outra coisa se não Libertação.
Libertação não
quer dizer fuga, não quer dizer o abandono da sociedade.
Libertação começa com silêncio
e com solidão, mas termina no meio da sociedade.
Para o princípio nós precisamos do silêncio
e da solidão, para nos consolidarmos no domínio
espiritual, mas quando estamos devidamente consolidados
no domínio espiritual, nós podemos voltar
ao meio da sociedade e a sociedade já não
nos faz mal, porque não podemos mais ser derrotados
pela sociedade, pois já somos senhores da sociedade,
senhores dos pensamentos e senhores das emoções.
Isto é o que eu chamo da passagem
da crença para a experiência de Deus, ou
seja, a passagem da escravidão para a liberdade.
Todos nós gostamos de liberdade; ninguém
gosta de escravidão. Entretanto, poucos são
os que fazem algo para se desescravizar e para se libertar.
Parafraseado de uma palestra
do Prof. Huberto Rohden
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