Quis
penetrar num mundo completamente diferente, que transcendesse
este mundo, -- que estivesse para além de toda a infelicidade
e aflição. E esperava encontrar esse mundo transcendente
através da busca. Devemos investigar este assunto de haver,
ou não, uma Realidade -- não importa o nome que
se lhe possa dar -- que seja uma dimensão inteiramente
diferente. Para penetrarmos na sua profundidade, temos naturalmente
de perceber que não chega só uma simples compreensão
ao nível verbal -- porque a descrição nunca
é o descrito, a palavra nunca é a coisa. Poderemos
nós entrar no mistério -- se é que é
um mistério isso a que o homem tem tentado chegar, invocando-o,
agarrando-se a isso, adorando-o, devotando-se a ele?
Sendo a vida
aquilo que é -- muito superficial, vazia, tortuosa, sem
grande sentido -- tenta-se inventar um significado, dar-lhe um
sentido. Se se tem uma certa habilidade mental, o significado
e o sentido dessa invenção tornam-se bastante complicados.
E ao não encontrarmos a beleza, o amor, ou o sentido da
imensidade, isso pode tornar-nos cépticos, descrentes de
tudo. É claro que é absurdo e ilusório, sem
significado, inventar uma ideologia, uma fórmula, afirmar
que há Deus ou que não há, quando a vida
não tem qualquer significado -- o que é verdade,
vivendo nós como vivemos. Assim, não vamos nós
agora inventar-lhe um sentido.
Era bom que pudéssemos
fazer esta pesquisa juntos e descobrirmos, por nós próprios,
se há, ou não, uma Realidade que não seja
uma mera invenção intelectual ou emocional, uma
fuga. O ser humano, através da História, tem afirmado
que há uma Realidade para a qual temos que nos preparar,
pela qual temos de fazer certas coisas (disciplinarmo-nos, resistir
a qualquer forma de tentação, autocontrolar-nos,
controlar o sexo, ajustarmo-nos a determinado padrão estabelecido
pela autoridade religiosa, pelos santos, etc.); ou devemos rejeitar
o mundo, afastando-nos para um mosteiro ou para alguma gruta onde
possamos meditar, isolando-nos, para estarmos sozinhos e não
termos, assim, tentações.
Vê-se,
naturalmente, o absurdo de uma tal luta, e que não temos
possibilidade de fugir do mundo, daquilo que é, do sofrimento,
da loucura, e de tudo o que o homem tem descoberto no campo científico.
Obviamente que
temos de pôr de lado todas as teologias e crenças.
Se assim procedermos, então deixa de haver qualquer forma
de medo.
Sabendo que a
moralidade social não é moral mas imoral, percebemos
que temos de ser extraordinariamente morais porque, afinal, moralidade
é apenas criar ordem, tanto dentro como fora de cada um
de nós; mas esta moralidade deve estar na ação,
não sendo uma moralidade meramente baseada em ideias ou
conceitos, mas termos uma conduta verdadeiramente moral.
Será possível
disciplinarmo-nos sem repressão, sem controle, sem fugas?
A raiz da palavra "disciplina" é "aprender",
e não conformarmo-nos nem tornarmo-nos discípulos
de alguém; não é imitar ou reprimir, mas
aprender. O próprio ato de aprender exige disciplina --
uma disciplina que não é imposta nem é acomodação
a qualquer ideologia, nem é a dura austeridade do monge.
Contudo, sem uma profunda austeridade, a nossa conduta na vida
diária apenas leva à desordem.
Podemos ver como
é essencial ter completa ordem dentro de nós, tal
como a ordem matemática, que não é relativa,
que não é comparativa, nem resulta da influência
do meio.
Tem de se estabelecer
uma conduta correta, para que a mente esteja em completa ordem.
Uma mente torturada, frustrada, moldada pelo que a rodeia, que
se conforma à moral social estabelecida é, em si
própria, confusa; e uma mente confusa não pode descobrir
o que é a Verdade. Para a mente descobrir esse estranho
mistério -- se tal coisa existe - - ela precisa de construir
as bases de uma conduta moral, o que não tem nada a ver
com a moralidade social, uma conduta sem medos e, portanto, livre.
Só então -- depois de lançada esta base profunda
-- a mente poderá prosseguir no sentido de descobrir o
que é meditação, essa qualidade de silêncio,
de observação, no qual o "observador"
não existe. Se esta base de conduta correta não
está presente na existência de cada um, na sua ação,
então a meditação tem muito pouco significado.
No Oriente há
muitas escolas, muitos sistemas e métodos de meditação
- - incluindo o Zen e o Yoga -- e que foram trazidos para o Ocidente.
Temos de compreender muito claramente esta idéa de que
através de um método, de um sistema, ou do ajustamento
a certo padrão ou tradição, a mente é
capaz de descobrir essa Realidade. Podemos ver como isso é
absurdo, seja importado do Oriente ou inventado aqui no Ocidente.
Método implica conformismo, repetição; sugere
que alguém alcançou uma certa "iluminação",
que manda: "Faz isto, não faças aquilo".
E nós, que estamos ansiosos por atingir essa Realidade,
seguimos, conformamo-nos, obedecemos, praticamos aquilo que nos
disseram, dia após dia, como se fôssemos máquinas.
Uma mente embotada e insensível, que não é
muito inteligente, é capaz de praticar um método
tempo sem fim; vai-se tornando cada vez mais insensível,
estupidificada. Terá a sua própria "experiência"
dentro dos limites do seu próprio condicionamento.
Alguns de vós
talvez tenham estado no Oriente e alí estudado meditação.
Existe toda uma tradição por detrás disso.
Na Índia, e por todo a Ásia, essa tradição
"explodiu" nos tempos mais antigos. Ainda hoje, ela
prende a atenção. Livros sem fim têm sido
escritos sobre ela. Mas qualquer forma de tradição
-- trazida do passado --, que é utilizada para se saber
se existe uma Grande Realidade, é obviamente um esforço
perdido. A mente tem de estar liberta de toda a espécie
de tradição e preceitos espirituais; caso contrário,
ficamos completamente privados de verdadeira inteligência.
Então,
o que é meditação, se ela não é
uma meditação tradicional? -- e ela não pode
ser tradicional, ninguém no-la pode ensinar; não
podemos seguir um determinado caminho e dizer: "Ao longo
deste caminho, ficarei a saber o que é meditação".
Todo o sentido da meditação reside na mente que
se torna completamente quieta; quieta, não apenas no nível
consciente, mas também nos níveis mais profundos,
secretos e escondidos da consciência; tão completamente
quieta que o pensamento fica silencioso e não anda a vaguear
por todo o lado. Um dos ensinamentos da tradição
relativa à meditação, a abordagem tradicional
de que estamos a falar, diz que o pensamento deve ser controlado;
mas isso tem que ser totalmente posto de lado, observando tudo
isso de muito perto, objectivamente e de modo não emocional.
A tradição diz que temos de ter um guru, um instrutor,
para nos ajudar a meditar, que nos diga o que temos de fazer.
O Ocidente tem a sua própria forma de tradição,
-- prece, contemplação e confissão. Mas em
todo o princípio de que alguém sabe e nós
não sabemos, e que esse que sabe nos vai ensinar, nos vai
dar a iluminação, nisso está implícita
a autoridade, o mestre, o guru, o salvador, o Filho de Deus, etc..
Eles sabem, e
nós não; dizem: "Segue este método,
este sistema, pratica-o todos os dias, e eventualmente chegarás
"lá" -- se tivermos sorte. Isto quer dizer, que
estamos em luta conosco próprios durante todo o dia, tentando
conformarmo-nos a um padrão, a um sistema, tentando reprimir
os nossos desejos, apetites, invejas, ciúmes, ambições.
E assim surge o conflito entre aquilo que somos e o que "deveríamos
ser" de acordo com o sistema; isto significa que há
esforço; e a mente que está fazendo esforços
nunca poderá estar quieta; através do esforço
a mente nunca pode tornar-se completamente tranquila.
A tradição
também diz que devemos concentrar-nos, para controlarmos
o pensamento. Concentrar-se é meramente resistir, é
construir um muro à volta de si mesmo, para proteger uma
focagem sobre uma ideia, um princípio, uma imagem, ou o
que quer que seja, excluindo tudo o mais.
A tradição
afirma que temos de passar por isso, para encontrarmos aquilo
que desejamos. Ela também diz que não se deve ter
relações sexuais, que não devemos olhar para
este mundo, tal como todos os santos, mais ou menos neuróticos,
sempre aconselharam. E quando compreendemos (não meramente
ao nível verbal e intelectual, mas de fato) o que está
envolvido em tudo isso -- e só podemos compreendê-lo
se não estivermos apegados a isso, e pudermos olhá-lo
objetivamente -- então, abandonamo-lo completamente. E
precisamos de fazê-lo porque, então, a mente, no
próprio ato de abandonar, se torna livre e, portanto, inteligente,
atenta, não susceptível de se deixar prender em
ilusões.
Para meditar,
no sentido mais profundo da palavra, temos de ser íntegros,
morais. Não se trata da moralidade de um padrão,
de uma prática, ou da ordem social, mas sim da moralidade
que brota naturalmente, inevitavelmente, suavemente, quando começamos
a compreender-nos a nós próprios, quando estamos
atentos aos nossos pensamentos e sentimentos, às nossas
atividades, desejos, ambições, etc. -- atentos sem
qualquer escolha, observando apenas.
Dessa observação
nasce a ação recta, que não tem nada a ver
com conformismo ou com uma ação de acordo com um
ideal. Então, quando isso existe profundamente em nós,
com a sua beleza e austeridade na qual não há nenhuma
rigidez -- rigidez só existe quando há esforço
-- quando tivermos observado todos os sistemas, todos os métodos,
todas as promessas e olhado para eles objectivamente, sem gostar
ou não-gostar, então podemos recusar tudo isso completamente,
para que a mente fique liberta do passado; então podemos
prosseguir na descoberta do que é meditação.
Se não
tivermos construído, de fato, os alicerces, podemos entreter-nos
com a meditação, mas isso não tem qualquer
significado -- é como aquelas pessoas que vão para
o Oriente à procura de um instrutor que lhes diga como
devem sentar-se, como respirar, o que fazer, etc., e que regressam
e escrevem um livro, o que é tudo uma pura insensatez.
Cada um tem de
ser mestre e discípulo de si próprio -- não
há nenhuma autoridade, há apenas compreensão.
A compreensão só é possível quando
há observação sem um centro, o observador.
Já alguma vez observastes, olhastes bem, procurando descobrir
o que é compreender? Compreender não é um
processo intelectual, não é uma intuição
ou um sentir. Só se pode dizer "compreendo muito claramente"
quando há uma observação nascida
de um silêncio total -- só então há
verdadeira compreensão. Quando afirmamos: "Compreendo
isto ou aquilo", queremos dizer que a mente escuta, em silêncio,
sem concordar ou discordar; nesse estado escuta-se de uma forma
completa -- e só então há compreensão,
e essa compreensão é ação interior.
Não há compreender primeiro e só depois ação;
é algo simultâneo, é um só movimento.
Assim, meditação -- esta palavra está pesadamente
carregada de tradição -- é levar, sem esforço,
sem qualquer forma de compulsão, a mente, incluindo o cérebro,
à sua mais alta capacidade, que é inteligência,
que é ser extremamente sensível. O cérebro
fica silencioso; esse repositório do passado, que evoluiu
durante milhares de anos e que está incessantemente ativo
-- esse cérebro fica tranquilo.
Será mesmo
possível para o cérebro, que está continuamente
em reação, respondendo ao mais pequeno estímulo,
de acordo com o seu condicionamento, ficar tranquilo? Os tradicionalistas
dizem que ele pode ser aquietado, através de uma respiração
adequada e praticando "vigilância". Mas, de novo,
isto levanta a questão: "Quem é a entidade
que controla, que pratica, que molda o cérebro?" Não
será o pensamento, que diz, "Eu sou o observador e
vou controlar o cérebro, parar o pensamento"? O pensamento
cria o pensador.
Será possível
o cérebro estar completamente quieto? Faz parte da meditação
descobrir isso, em vez de sermos ensinados; ninguém nos
pode dizer como fazê-lo. O nosso cérebro -- que está
tão pesadamente condicionado pela cultura, por toda a espécie
de experiências, que é resultado de uma longa evolução
-- poderá ele estar tranquilo? -- porque sem isso, seja
o que for que ele veja ou experiencie será distorcido,
será traduzido de acordo com o seu condicionamento.
Que parte tem
o sono na meditação, na vida? É uma questão
muito interessante; se investigarmos nós próprios,
faremos grandes descobertas. Como dissemos no outro dia, os sonhos
são desnecessários. A mente, o cérebro, precisam
de estar completamente despertos durante o dia -- atentos ao que
se está a passar tanto dentro como fora de nós,
sensíveis às reacções interiores,
ao que se passa no exterior, com as suas tensões que provocam
reacções, atentos aos sinais do inconsciente --
e, no fim do dia, o cérebro precisa de considerar tudo
isso. Se assim fizermos quando estivermos a dormir, estaremos
a aprender numa dimensão totalmente diferente; e isso faz
parte da meditação.Se assim não procedermos
no fim do dia, o cérebro terá de trabalhar durante
a noite, quando estivermos a dormir, para trazer ordem a si próprio
-- o que é óbvio.
Há a construção
das bases da conduta, cuja acção é amor.
Há o abandonar de todas as tradições, para
que a mente fique inteiramente livre e o cérebro completamente
quieto. Se fizermos isso, veremos que o cérebro é
capaz de aquietar-se, não através de qualquer truque
ou droga, mas sim por meio dessa ativa e também passiva
atenção que tivermos durante o dia. E se, no fim
do dia, examinarmos cuidadosamente o que aconteceu e assim criarmos
ordem, então, durante o sono, o cérebro está
em silêncio, aprendendo, com um movimento diferente.
Assim, todo o
corpo, o cérebro, a mente estão calmos, sem qualquer
forma de distorção. E se há, de fato, uma
Realidade, só então a mente é capaz de a
receber. Essa Imensidade, esse Inominável, esse Transcendente
-- se é que existe -- não pode ser convidado. E
só uma mente assim poderá ver a falsidade ou a verdade
dessa Realidade.
Podemos perguntar:
"Que tem tudo isto a ver com a nossa vida? Tenho de viver
todos os dias, ir para o escritório, lavar pratos, viajar
num autocarro barulhento e a abarrotar de pessoas -- o que tem
a meditação a ver com tudo isto?" Mas, meditação
e´, afinal, compreender a vida, a vida de todos os dias,
com toda a sua complexidade, aflição, sofrimento,
solidão, desespero, medo, inveja, vontade de se ser famoso,
de ter sucesso -- compreender tudo isto é meditação.
Sem essa compreensão,
a mera tentativa de um encontro com o mistério é
totalmente infrutífero, sem valor. É como uma vida
e uma mente em desordem, a tentar chegar à ordem matemática.
A meditação tem tudo a ver com a vida; não
é um mergulho num qualquer estado emocional e "extático".
Há um êxtase que não é prazer e que
acontece apenas quando em nós próprios há
essa ordem matemática, que é total. A meditação
é uma maneira de viver, todos os dias -- só então
aquilo que é imperecível, que não tem tempo,
poderá surgir.
Interlocutor:
Quem é esse observador que está consciente das suas
próprias reacções? Que energia é usada?
Krishnamurti:
Será que já olhámos para alguma coisa sem
reacção? Será que já olhámos
uma árvore, um rosto de mulher, uma montanha, uma nuvem,
ou a luz sobre a água, só observando, sem traduzir
isso em "gosto" ou "não gosto", em
prazer ou dor -- observando apenas?
Numa tal observação,
quando se está mesmo atento, há algum observador?
Fazei isso, não me pergunteis -- se o fizerdes, descobrireis.
Observai as reações, sem as julgar, sem as avaliar
ou distorcer, estando completamente atentos a todas as reações.
Nessa atenção, vereis que não há nenhum
observador, nem pensador, nem experienciador.
Agora a segunda
questão: para mudarmos alguma coisa em nós, para
provocarmos uma transformação, uma revolução
na psique, que energia é precisa? Como se tem essa energia?
Habitualmente, temos energia mas em tensão, em contradição,
em conflito; há energia no confronto entre dois desejos,
entre o que tenho de fazer e o que "deveria" fazer --
tudo isto consome muita energia. Mas se não houver contradição
de qualquer espécie, então teremos energia em abundância.
Olhemos a nossa
própria vida, olhemos, de fato, para ela: ela é
contraditória; queremos ser pacíficos, mas odiamos
alguém; queremos amar, mas somos ambiciosos. Esta contradição
cria conflito, luta; esta luta é um desperdício
de energia. Se não há qualquer contradição,
temos imensa energia para nos transformarmos.
Perguntamos:
"Será possível não haver contradição
entre "observador" e "observado", entre o
"experienciador" e a "experiência",
entre amor e ódio? Será possível viver sem
estas dualidades?" É possível quando há
apenas o fato, e nada mais -- o fato de que se odeia, de que se
é violento, e não o seu oposto, como ideia. Quando
temos medo, desenvolvemos o oposto, a coragem, que é resistência,
contradição, esforço e tensão. Mas
quando percebemos completamente o que é o medo e não
fugimos para o oposto, quando damos a nossa completa atenção
ao medo, então não há apenas a sua cessação,
psicologicamente, mas também temos a energia que é
precisa para o enfrentar.
Os tradicionalistas
dizem: "Devemos ter esta energia, portanto, não tenhamos
atividade sexual, não sejamos mundanos, concentremo-nos,
pensemos em Deus, fujamos do mundo, não nos deixemos tentar"
-- tudo para se ter esta energia. Mas cada um de nós continua
a ser uma criatura humana, com apetites, ardendo com desejos sexuais,
tendo necessidades biológicas, querendo passar por isso,
controlando, forçando, e tudo o mais -- portanto, dissipando
energia. Mas se convivermos com o fato e nada mais; se somos coléricos,
compreendamos isso e não pensemos em "como não
sermos coléricos", investiguemos o fato, estejamos
com ele, convivamos com ele, dando-lhe total atenção
-- veremos, então, que temos energia em grande quantidade.
É esta energia que mantém a mente lúcida
e o coração aberto, havendo, assim, abundância
de amor -- em vez de ideias ou de sentimentalismo.
Interlocutor.:
O que quer dizer com êxtase, pode descrevê-lo? Disse
que êxtase não é prazer; amor não é
prazer?
Krishnamurti.:
Que é êxtase? Quando olhamos uma nuvem, a luz que
a ilumina, há beleza. Beleza é paixão. Para
se reparar na beleza de uma nuvem ou na beleza da luz numa árvore,
tem de haver paixão, intensidade. Nesta intensidade, nesta
paixão, não há qualquer sentimento de gostar
ou não gostar. O êxtase não é pessoal;
não é teu nem meu, assim como o amor. Quando há
prazer, ou é teu ou é meu. A mente meditativa tem
o seu próprio êxtase -- que não pode ser descrito,
nem ser posto em palavras.
Interlocutor.:
Está a dizer que não há bom nem mau, que
todas as reações são boas -- é isso?
Krishnamurti.:
Eu não disse isso. Disse: "Observemos as nossas reações,
não lhes chamemos boas ou más". Quando dizemos
que são boas ou más, estamos a criar contradição.
Cada um de vós já alguma vez olhou realmente a sua
mulher -- desculpai a minha insistência -- sem a imagem
que dela tem, a imagem que foi construindo durante trinta ou mais
anos? Cada um tem uma imagem um do outro; são estas imagens
que estão em relação, e não as pessoas.
Estas imagens formam-se quando não se está atento
ao relacionamento -- é a desatenção que cria
imagens. Poderá cada um de vós olhar a sua mulher
sem condenar, sem julgar, sem dizer que ela está certa
ou errada, somente observar, sem a intromissão de preconceitos?
Então, vereis que há uma ação de natureza
completamente diferente, que nasce dessa observação.
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Site krishnamurti-br: http://br.groups.yahoo.com/group/krishnamurti-br
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