Investigar
e aprender é função da mente. "aprender"
não é mero cultivo da memória ou
acumulação de conhecimentos, porém,
a capacidade de pensar clara e sãmente, sem ilusões,
partindo de fatos e não de crenças e ideais.
Em nosso
esforço para promover o total desenvolvimento do
ente humano, devemos tomar em consideração
tanto a mente inconsciente como o consciente. Tratar apenas
de educar a mente consciente, sem compreender o inconsciente,
é introduzir a autocontradição na
vida humana, com todas as suas frustrações
e desditas.
A mente consciente
é presente imediato, limitado, ao passo que a inconsciente
está sob o peso dos séculos e não
pode ser detida ou posta à margem por uma simples
necessidade imediata.
O inconsciente
tem a qualidade do tempo profundo e a mente consciente,
com sua recente cultura, não pode entender-se com
o inconsciente, conforme suas passageiras premências.
Quando não há resistência entre o
manifesto e o oculto, então o oculto, dotado que
é da paciência do tempo, não violará
o presente imediato.
A mente superficial
que "experimenta" o exterior sem compreender
o interior, o oculto, só Poe produzir conflito
maior e mais amplo.
A experiência
não liberta ou enriquece a mente, como geralmente
pensamos.
Enquanto
a experiência fortalecer o experimentador, haverá
conflito. Tendo experiências, a mente condicionada
apenas fortalece o seu condicionamento e, desse modo,
perpetua a contradição e a desdita. Só
a mente que é capaz da compreensão de todo
o seu próprio mecanismo, pode experimentar ser
um fator libertador.
Uma vez percebidos
e compreendidos os poderes e capacidades das numerosas
camadas da mente oculta, poderão as particularidades
ser examinadas judiciosa e inteligentemente. O importante
é a compreensão da parte oculta, e não
o mero preparo da mente superficial para a aquisição
de conhecimentos, por necessários que sejam. Essa
compreensão do oculto liberta a mente total do
conflito, e só então há inteligência.
Cumpre-nos
despertar a capacidade plena da mente superficial que
vive em diária atividade, e ao mesmo tempo compreender
a mente oculta. Na compreensão do oculto há
um viver total, na qual a autocontradição,
com suas fases alternadas de sofrimento e felicidade,
deixa de existir. É essencial estar-se familiarizado
com a mente oculta e cônscio de seus movimentos;
mas é igualmente importante não ficarmos
ocupados com ela e atribuir-lhe indevida significação.
É só quando a mente compreende o superficial
e o oculto, que ela pode ultrapassar suas próprias
limitações e descobrir aquela suprema e
atemporal felicidade.
J. Krishnamurti
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