Entre os sentimentos que nos
levam ao filosofar se encontra a angústia e por isso escolhi
esse tema para que possamos fazer algumas reflexões, ao longo
desse colóquio que estabeleceremos, sobre o nosso modo de
ser, de “estar no mundo”.
Comumente, a angústia é entendida
como um estado de aflição, de sofrimento. Experimentada
por todos os homens, em todas as culturas, confunde-se com o desespero.
O desespero manifesta-se nos temores, no desconhecido,
na falta daquilo que é fator de segurança, na perda,
na incerteza do porvir. O desespero leva o homem a voltar-se para
as questões que podem levar ao sentido da existência
e para a consciência da própria finitude. O desespero
é também o que nos desacomoda, nos desestabiliza,
impulsionando-nos a buscar outros caminhos. Esses caminhos nos oferecem
as inúmeras possibilidades de escolha e cada escolha carrega
em si a angústia que lhe é característica.
Angústia, o que é isso? Sartre
afirma que “o homem é angústia”(1) em
razão da responsabilidade por suas escolhas. Tais escolhas
afetam não só o indivíduo, mas também
a humanidade inteira. Ainda que possa ser disfarçada por
outros modos de ver, acreditando-se que “ao agirem só
se implicam nisso a si próprias”(2) , a angústia
se manifesta, não sendo possível fugir-se dela a não
ser por uma atitude de má-fé, ou seja, escapando da
angústia provocada pela liberdade de escolha, fugindo à
responsabilidade de assumir a sua própria escolha, deixa
que o Outro decida por ele. E a má-fé tem suas conseqüências.
A angústia provocada pela decisão
a ser tomada e pelo peso da responsabilidade, como descrita por
Sartre, tem a ver também com a pluralidade de possibilidades
(é difícil saber qual é a melhor possibilidade).
O que define o homem no mundo para Sartre é o sentimento
de situação. O homem é um vazio, um projeto
que se torna ato e essa disposição para construir
a própria essência gera a angústia.
A angústia sartreana é essa consciência
de liberdade, de ser como é, de ser o que é
e nada pode ser feito contra isso.
Diante disso, eu gostaria de deixar algumas
perguntas no ar:
• quando somos livres realmente?
• o que temos de mais precioso senão a nossa liberdade?
• ou será que a liberdade é uma grade de ouro
que nos mantém na ilusão?
(1) SARTRE, Jean-Paul. O Existencialismo é
um Humanismo in Os Pensadores. p.13.
(2) Ibidem, p. 13
Terezinha de Jesus é escritora, palestrante,
orientadora filosófica. Os temas de suas reflexões
são o problema da dor, terapia do autoconhecimento, família,
ética e espiritualidade.
contato:teresinhadejesus@uol.com.br
Leia outro texto da autora: O trabalho do trabalho do homem
|