<%@LANGUAGE="JAVASCRIPT" CODEPAGE="65001"%> Untitled Document

Angústia - o que é isso? Uma breve reflexão sobre o conceito de angústia em Sartre*
Por: Terezinha de Jesus*

 

Entre os sentimentos que nos levam ao filosofar se encontra a angústia e por isso escolhi esse tema para que possamos fazer algumas reflexões, ao longo desse colóquio que estabeleceremos, sobre o nosso modo de ser, de “estar no mundo”.

Comumente, a angústia é entendida como um estado de aflição, de sofrimento. Experimentada por todos os homens, em todas as culturas, confunde-se com o desespero.

O desespero manifesta-se nos temores, no desconhecido, na falta daquilo que é fator de segurança, na perda, na incerteza do porvir. O desespero leva o homem a voltar-se para as questões que podem levar ao sentido da existência e para a consciência da própria finitude. O desespero é também o que nos desacomoda, nos desestabiliza, impulsionando-nos a buscar outros caminhos. Esses caminhos nos oferecem as inúmeras possibilidades de escolha e cada escolha carrega em si a angústia que lhe é característica.

Angústia, o que é isso? Sartre afirma que “o homem é angústia”(1) em razão da responsabilidade por suas escolhas. Tais escolhas afetam não só o indivíduo, mas também a humanidade inteira. Ainda que possa ser disfarçada por outros modos de ver, acreditando-se que “ao agirem só se implicam nisso a si próprias”(2) , a angústia se manifesta, não sendo possível fugir-se dela a não ser por uma atitude de má-fé, ou seja, escapando da angústia provocada pela liberdade de escolha, fugindo à responsabilidade de assumir a sua própria escolha, deixa que o Outro decida por ele. E a má-fé tem suas conseqüências.

A angústia provocada pela decisão a ser tomada e pelo peso da responsabilidade, como descrita por Sartre, tem a ver também com a pluralidade de possibilidades (é difícil saber qual é a melhor possibilidade). O que define o homem no mundo para Sartre é o sentimento de situação. O homem é um vazio, um projeto que se torna ato e essa disposição para construir a própria essência gera a angústia.

A angústia sartreana é essa consciência de liberdade, de ser como é, de ser o que é e nada pode ser feito contra isso.

Diante disso, eu gostaria de deixar algumas perguntas no ar:

• quando somos livres realmente?
• o que temos de mais precioso senão a nossa liberdade?
• ou será que a liberdade é uma grade de ouro que nos mantém na ilusão?

(1) SARTRE, Jean-Paul. O Existencialismo é um Humanismo in Os Pensadores. p.13.
(2) Ibidem, p. 13

Terezinha de Jesus é escritora, palestrante, orientadora filosófica. Os temas de suas reflexões são o problema da dor, terapia do autoconhecimento, família, ética e espiritualidade.

contato:teresinhadejesus@uol.com.br

Leia outro texto da autora: O trabalho do trabalho do homem

......
CUIDAR DO SER - Av. Zunkeller, 57 - Alto do Mandaqui - São Paulo - SP -
Tel.: (11) 6258-6590 - sac@cuidardoser.com.br