ANSIEDADE:
O SOFRIMENTO ANTECIPADO
Hilda Kemp
CRP-SP 06/59255-6
A palavra ansiedade
vem do latim “anxietate”
e nos dicionários tem como significado: aflição,
angústia, ânsia, medo, receio, atitude emotiva concernente
ao futuro e que caracteriza por alternativas de medo e esperança,
entre outros.
Os termos ansiedade ou transtornos ansiosos
são as recentes denominações do que antes chamávamos
de neuroses (da época de Freud).
Entendemos que ansiedade está ligada
a um futuro desconhecido e temido.
Sabemos que na pré-história,
o homem precisava estar sempre atento ao perigo, pois sua vida dependia
de sua ação. Ele precisava caçar e estar sempre
atento e tenso para não ser a caça de outros animais.
Nesse estado de tensão acontecem
alterações fisiológicas: as glândulas
supra-renais recebem informações, liberam a adrenalina
que vai para a corrente sangüínea, possibilitando assim
que a musculatura receba maior quantidade de sangue para que a pessoa
possa enfrentar o perigo eminente, fuja ou ainda que fique paralisada
a fim de escapar de um possível ataque. Assim, há
uma tendência natural de antecipar-se, de preocupar-se permanentemente
como se nossa integridade física dependesse desse estado
de constante alerta, ou seja, é como se nossa sobrevivência
dependesse de estarmos sempre prontos para a ação.
Acontece que nos dias atuais há
um grande paradoxo, pois ao mesmo tempo em que temos máquinas
super modernas para fazer grandes trabalhos e nos possibilitar maior
descanso, percebemos que a qualidade de vida da maioria das pessoas
está cada vez mais deficitária. Nossa herança
biológica não acompanhou a evolução
tecnológica e na atualidade em muitas ocasiões não
temos condições de utilizar a adrenalina liberada,
já que o perigo não é tão grande a ponto
de colocar nossa vida em risco, o que gera o famoso “stress”.
A ansiedade pode e deve ser administrada.
Ela tem seu aspecto positivo. Ela permite
que a pessoa se sinta motivada para a ação (motivação):
energia para organizar uma festa, planejar um trabalho ou uma viagem,
preparar materiais, pesquisar e estudar são alguns exemplos.
A ansiedade é considerada patológica
quando diante da motivação, a pessoa tem insônia,
preocupação, falta de concentração,
falta ou excesso de apetite entre outros sintomas.
As perguntas freqüentes diante de
casos de ansiedade são:
SERÁ? E SE...?
Será que conseguirei...?
Será que vai dar certo?
Será que vão gostar?
E se eu não conseguir...?
E se não der certo?
E se não gostarem de ...?
São exemplos de perguntas comuns
dos ansiosos, pois estes estão sempre projetando um futuro
duvidoso e que também costumam dizer:
QUANDO...
NO DIA EM QUE...
Quando eu conseguir...
Quando eu for ...
Quando eu tiver...
No dia em que eu puder...
No dia em que acontecer...
Estas projeções demonstram
que a pessoa não está presente no aqui e agora, é
sempre o que está por vir que tem maior valor, a felicidade
está lá no futuro e a pessoa não tem sossego,
já que não tem poder sobre esse futuro incerto, gerando
mais ansiedade.
Os sintomas da ansiedade são: taquicardia,
mal-estar abdominal, tensão muscular, irritação,
dificuldade de relaxar, hiperidrose, entre outros.
De acordo com a Associação
Norte Americana de Psiquiatria, são considerados transtornos
ansiosos, os seguintes distúrbios:
ATAQUE DE PÂNICO:
é uma crise de ansiedade aguda e intensa, de pouca duração
e com manifestações físicas como falta de ar,
tremores, sudorese, taquicardia, tontura. A crise geralmente passa
após 20 ou 40 minutos e em seguida ocorre uma sensação
de cansaço, fraqueza, pernas bambas. Pode acontecer a qualquer
hora e em qualquer lugar. Podem ocorrer sem causa específica,
ou quando a pessoa é exposta a situações que
provocam ansiedade, como multidões, espaços fechados,
pontes, lugares altos, elevadores, diante de animais etc.
TRANSTORNO DE PÂNICO:
é quando ocorrem ataques de pânico repetidos e inesperados
ou um ataque quando seguido de pelo menos um mês de preocupações
em ter novos ataques.
Vale lembrar que a denominação
“Pânico” vem do grego “panikon”
que tem como significado susto ou pavor repetitivo. Na mitologia
grega o deus Pã, que possuía chifres e pés
de bode, provocava com seu aparecimento, horror aos pastores e camponeses.
Em Atenas teria sido erguido na Acrópole um templo ao deus
Pã, ao lado da Ágora, praça do mercado onde
se reunia a assembléia popular para discutir os problemas
da cidade, sendo daí derivado o termo agorafobia, usado em
psiquiatria para designar o medo de lugares abertos e de multidões.
AGORAFOBIA: a ansiedade
que se sente em locais ou situações onde possa ser
difícil ou embaraçoso escapar, e o auxílio
poder não estar disponível na eventualidade. Pode
acontecer também quando a pessoa está só, é
o medo de ter medo.
FOBIA ESPECÍFICA:
é um medo excessivo e irracional revelado pela presença,
ou antecipação da presença de um objeto ou
situação que causa pavor. Quando há intensa
ansiedade, pode levar ao ataque de pânico.
Alguns exemplos de fobia específica:
por animais, sangue, avião, trem, elevadores, doenças,
altura, etc.
FOBIA SOCIAL: é
o medo persistente de situações em que a pessoa acredita
estar exposta à avaliação dos outros, ou se
comportar de maneira humilhante ou vergonhosa.
TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO:
é caracterizado pela presença de pensamentos (obsessões)
e atos compulsivos (rituais). Obsessões são idéias
que surgem repetidamente ou invadem nossa consciência de forma
involuntária e atos compulsivos são comportamentos
estereotipados e repetitivos, sem uma finalidade útil e geralmente
reconhecidos como irracionais e ineficazes.
TRANSTORNO DE ESTRESSE PÓS
TRAUMÁTICO: é quando após presenciar
um acontecimento traumático que envolveu morte, acidente,
grave ferimento ou ameaça à integridade física
própria ou de terceiros, o evento é persistentemente
revivido. Há sofrimento psicológico intenso quando
ocorre exposição aos indícios do fato ocorrido,
reações fisiológicas ao lembrar da situação
vivida (sudorese, tremores, etc.).
ANSIEDADE INDUZIDA POR SUBSTÂNCIAS:
ocorre quando o uso de determinadas substâncias leva a um
ou mais transtornos ansiosos como: ansiedade generalizada, ataque
de pânico, sintomas obsessivo compulsivo, sintomas fóbicos.
O início pode ocorrer durante o uso excessivo (intoxicação)
ou durante a abstinência (logo após a interrupção
do uso).
O tratamento da ansiedade pode ser feito
através de medicação (ansiolíticos),
sempre acompanhado de processo psicoterápico (psicólogo).
A desvantagem da medicação
que é um auxiliar muito bom, é que, uma vez cessada,
retornam os sintomas. A psicoterapia para o tratamento da ansiedade,
é eficiente porque elimina a raiz do problema e permite que
o indivíduo retome a vida com mais segurança. Nos
casos mais graves, onde a ansiedade pode se tornar impeditiva, o
auxilio da medicação pode ser extremamente eficiente
como elemento de transição para a resolução
do problema que será obtido pela psicoterapia.
Exercícios de relaxamento também
são eficazes, pois na medida em que tomamos consciência
de nossa respiração, podemos acalmar a nossa mente,
ficamos presentes no aqui e agora, e exercitamos a paciência
(ciência da paz).
É preciso coragem para a mudança
e abandonar o sofrimento e como disse Mark Twain:
“Coragem é
resistência ao medo, domínio do medo, e não
ausência de medo”.
Podemos promover mudanças para uma melhor qualidade de
vida.
Hilda
Kemp
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