- Minhas atitudes, comportamentos
e reações diante da vida, me levam a fazer
escolhas positivas?
- Como me sinto diante
das escolhas que faço?
- Tenho muitas dúvidas
diante de uma decisão a ser tomada?
- Quando preciso colocar
minhas opiniões diante de um fato, sinto-me inseguro,
inadequado, Inferior? (e neste caso prefiro me omitir?)
- Como me sinto quando
me olho no espelho?
- Como reajo diante de
críticas?
Enfim, através de
um confronto honesto consigo mesmo, você será
capaz de responder a estas questões.
E porque eu falo sobre um
confronto honesto? Porque muitas vezes você se engana,
tentando justificar suas atitudes e seus sentimentos.
Portanto, quando você
nutre sentimentos de insegurança, inadequação,
inferioridade, medo, fraqueza, dúvida, negatividade,
culpas, auto-rejeição, é porque sua
auto-estima está abalada, quando não ausente.
Para que você consiga
trabalhar na construção da sua auto-estima
é preciso primeiramente reconhecer que ela está
aí pois, sem esse reconhecimento, não há
trabalho a ser realizado. Por outro lado, é importante
reconhecer também os potenciais latentes que precisam
ser desenvolvidos, traduzidos em recursos internos, ferramentas
que podem ser usadas no desenvolvimento e crescimento do
Ser.
Porém quando a estima
está baixa é difícil este reconhecimento.
É difícil reconhecer a inteligência,
a consciência, o discernimento, as emoções,
a bondade,a capacidade de cooperar, de construir, enfim...
mas está tudo aí e você pode trazer
à consciência este reconhecimento.
Pense nos seus melhores
momentos, pense nos desafios que conseguiu vencer, pense
nos momentos que enfrentou sem medo algumas dificuldades
saindo-se bem, pense nas conquistas que já realizou.
Quando você traz à
memória tudo o que realizou e o quanto que já
caminhou, acaba reconhecendo que pode continuar caminhando
e lutando por seus objetivos, sem se sentir mal porque hoje
as coisas podem não estar do jeito que gostaria que
estivessem.
Portanto o caminho é
sempre o caminho que leva para dentro do Ser. Pode ser que
aí dentro você encontre uma criança
carente, ferida que precisa ser cuidada. Pois então
cuide de sua criança. Converse com ela e procure
detectar suas necessidades. Talvez ela precise de um pouco
mais de aconchego, um pouco mais de atenção
e de calor. Se perceber que é essa a questão,
é esse o ponto, então passe a dar a ela esse
carinho, esse aconchego e essa atenção.
Quanto tempo por dia você
passa com você mesmo? Uma hora? Meia hora? 5 minutos?
Ou nem se lembra que você existe? Será que
chegou o momento de lembrar-se de você? Será
que chegou o momento de dar a você tudo o que vem
esperando que o outro dê? Ou, será que chegou
o momento de dar à você também tudo
o que dá ao outro?
Vejam só quantas
perguntas, quantas oportunidades de reflexão sobre
o que você tem feito por você mesmo, pelo seu
crescimento, pelo seu bem estar, pelos seu sentimento de
satisfação diante da vida.
A insatisfação
vem quando você “precisa” se doar muito,
esperando uma recompensa que nunca chega. Nesse caso você
não se doa por amor, mas esperando pelo amor que
necessita, esse mesmo amor que você não se
dá. Quando você dá esperando receber,
em seguida você cobra. E quando você está
cobrando está sentindo todos os sentimentos que comprovam
a baixa estima. Sentimentos de não ser merecedor,
onde muitas vezes você até expressa literalmente:
- Será que eu não
mereço um pouco de atenção?
- Será que eu não
mereço um pouco de paz?
- Será que eu não
mereço um pouco de amor?
E você está
sentindo que realmente não merece. Mas, porque esta
reação? Porque tudo o que você fez,
você fez esperando uma recompensa, esperando que o
outro dê tudo aquilo que necessita. E estabelece uma
relação de dependência para com o outro.
Seja esse outro quem for: filho, mãe, pai, amigo,
marido, esposa... Na relação de dependência
você só pode estar feliz se o outro estiver
feliz, você só pode sentir-se bem se o outro
estiver bem, você se iguala ao padrão energético
do outro e no mesmo padrão você não
pode fazer nada para ajudar assim como não se sente
apoiado. Se o outro estiver passando por uma dificuldade
qualquer, ao invés de ajudar mantendo um padrão
mais sutil você entra naquela sintonia e fica igualmente
mal. E porque isso acontece? Acontece porque você
não está com você, não está
“dentro de casa”, da sua casa interna, e quando
você perde o contato com você, perde também
todas as suas referências e a sua referência
passa a ser o outro.
É muito comum na
clínica, pacientes que chegam com histórias
de baixa estima projetando o estado em que se encontram
no outro e ficam várias sessões só
falando sobre o outro. E falam do marido, e falam do filho,
e falam da esposa, e falam do chefe, como se o mundo todo
impossibilitasse o seu bem estar e o seu sentimento de valor
e estima por si mesmo. O mundo passa a ser um grande espelho
cujo olhar só pode ver o outro.
Aos poucos o paciente começa
a lançar este olhar a si mesmo e só então
ele entra em terapia, só quando começa a percorrer
o caminho que leva para dentro de si mesmo. Nesse caminho
que ele percorre ao lado do terapeuta, inicia o processo
do autoconhecimento, que implica no reconhecimento e aceitação
do que se é de verdade. E na auto-aceitação
enquanto um ser que possui muitas qualidades, mas que também
possui limites a serem vencidos, é que se pode efetuar
mudanças no sentido de responsabilizar-se mais pelos
sentimentos, comportamentos, enfim... E quanto mais se responsabiliza
por si mais condição tem de estar com o outro,
numa atitude positiva e construtiva. E aí entra o
“amar ao próximo como a si mesmo”. Você
passa a amar por amar, a se doar porque é uma condição
interna que te faz doar-se e não porque você
precisa ter de volta aquele quinhão de amor que ofertou.
Agora você deve estar
se perguntando:
“Mas, isso não
é altruísmo demais?, eu ainda não estou
pronto para isso”.
E a questão não
é de altruísmo, mas de estado de consciência.
E o amor é um estado de consciência que uma
vez atingido, passa a ser você, onde você passa
a viver em um estado de amor. E quando você passa
a viver em um estado de amor, você compreende melhor
as leis da vida e uma das leis da vida mais importantes
é a lei da ação e reação.
O momento presente é
sua sementeira, é a possibilidade de plantar o que
você vai colher amanhã. Você está
plantando sementes de amor? É o que você vai
colher, tão somente por estar nesta sintonia. E nesse
caso, não precisa cobrar pelo amor do outro, pois
a vida se encarrega de trazer amor e que não precisa
necessariamente ser através de quem você se
doou, mas por um outro caminho qualquer, uma realização
em qualquer área da vida, enfim, é preciso
confiar no processo e nas leis da vida, sabendo que você
tem ou terá tudo o que merece.
Não se apegue a
pessoas ou condições como possibilidade de
ser feliz. O importante é você procurar estar
sempre no seu melhor, na sua melhor possibilidade de realização
e o resto vem como conseqüência de sua postura
diante da vida.
Portanto, voltar para casa, estar
com você, descobrindo quais são suas reais
necessidades, e percebendo
os potenciais que você poderá desenvolver para
que você possa suprir suas necessidades, cuidando-se,
dando atenção a você, ficando alguns
momentos do dia com você, sendo a sua melhor companhia
porque é nesse movimento que você poderá
estar também com o outro, e estar inteiro, disponível
e aberto para doar-se, compreender, entender o processo
do outro.
Já estamos bem cansados de ouvir ou de dizer: “Se
eu não me amar, como poderei esperar pelo amor do
outro?” Ou: “Se eu não me respeitar,
como poderei esperar que o outro me respeite?” Ou:
“Se eu não me valorizar, como poderei esperar
que o outro me valorize?” Mas, é algo que vem
do intelecto, sem sentir de fato o auto-respeito ou sem
de fato se valorizar e se amar. E fica uma luta interna,
um conflito entre o mental e o emocional, onde o mental
diz uma coisa e o emocional sente outra.
A
baixa estima começa a se desenvolver ainda na infância,
quando as mensagens dos adultos sejam verbais ou comportamentais,
vão se integrando em você e você passa
a construir a personalidade sobre estes pilares, ou seja,
sobre as experiências que viveu ou sobre as coisas
que ouviu sobre você mesmo. Ou mesmo depois de adulto,
quando após algumas experiências fracassadas,
você passa a não confiar mais em você
e em suas possibilidades, passando a buscar apôio
no outro por sentir-se inseguro e achar que nunca mais será
capaz de construir coisa alguma. Existe o temor pela repetição
de experiências de fracasso, o temor que sua baixa
estima fique exposta, além do sentimento de impotência
diante da vida e de si mesmo. Você cria mágoas
e ressentimentos pelo outro, pela vida e por si mesmo, vai
se transformando em um ser cheio de amargura, desconfiança
e insegurança, cria bloqueios que o impedem de avançar.
E para que servem as experiências de fracasso? Servem
para ensinar algo sobre você mesmo, para que da outra
vez você aja de uma forma diferente, para que aumente
a compreensão de si mesmo e não para que você
recue e não queira mais viver novas experiências.
Existe também o outro lado,
ou seja, ao invés de você recuar diante da
vida, torna-se um “fazedor” para ser aceito
e amado. Você sai do amor incondicional que deveria
nutrir por si mesmo, sai da auto-aceitação
incondicional para estabelecer algumas condições
sem as quais você não poderia ser aceito e
amado.
E quais condições
são essas? Você precisa freqüentar uma
universidade, usar um carro de tal marca, ter um apartamento
não sei como, freqüentar lugares que dêem
a você um certo status, enfim,nada contra a ter coisas
materiais já que vivemos no mundo tridimensional
e precisamos da matéria, porém a questão
aqui é ter para ser aceito e amado. É como
se você não pudesse ser valorizado pelo que é mas pelo que possui. A conseqüência
desta postura é o medo que poderá invadir
você ao perceber que se um dia perder a condição
que tem, ninguém mais poderá amá-lo
ou aceita-lo. Você cria um padrão de perfeccionismo,
entra na autocrítica destrutiva, nunca está
satisfeito consigo mesmo, passando a exigir cada vez mais
de você.E nesse caso principalmente você não
se aceita pelo que é, mas pelo que faz, pelo que
conquista, pelo que possui.
Portanto, tudo na vida é
equilíbrio. Equilíbrio entre o ter e o ser,
entre o ego e o espírito, entre o dar e o receber,
entre as qualidades e os limites que precisam ser vencidos.
Na prática clínica
transpessoal, buscamos principalmente pelos aspectos mais
saudáveis da personalidade que poderão ser
usados para vencer os desafios no processo de crescimento.
Um dos exercícios que
gosto muito de aplicar e que vocês também poderão
fazer, agora mesmo, caso queiram, consiste na elaboração
de uma lista com tudo aquilo que você considera que
tem de melhor. Pegue um papel e caneta e vamos trabalhar
mais profundamente esta questão da auto-estima.
Reflita comigo:
- Quais são os seus melhores
recursos internos?
- Suas melhores qualidades?
- Procure trazer à consciência
tudo o que já fez de melhor em sua vida e quais
recursos internos usou para isso.
Vá enumerando todos eles.
Agora, busque por tudo o que você
não gosta de ver em você. Procure por comportamentos
que te desagradam, sentimentos em relação
a você mesmo e ao outro. Vá trazendo para a
consciência tudo o que te desagrada em você.
Encontrou as qualidades e os limites
que te impedem de prosseguir de uma forma mais satisfatória
na vida?
Observe qual lista ficou maior.
A lista das qualidades ou a dos limites?
Em geral, na clínica, quando
os pacientes chegam com uma história de baixa estima,
a lista das qualidades é bem pequena, muitos não
conseguem perceber nenhuma qualidade, mas em contrapartida
trazem uma lista imensa de limites. Estes são os
que se sentem fragilizados e acreditam que realmente não
possuem nada de bom.
Outros trazem uma lista imensa
de qualidades e quase nada de limites. Estes são
aqueles “fazedores” dos quais falamos um pouco
antes. Conquistam tanto, precisam ter tanto, para serem
amados e aceitos que nem percebem seus limites, assim como
não percebem que escolheram este modo de viver como
uma defesa à possibilidade de não serem aceitos
simplesmente pelo que são.
E a sua lista, como ficou? Nenhuma
qualidade? Nesse caso procure lembrar-se das vezes que cuidou
com extrema dedicação de seu filho ou dos
pais quando precisaram de você, ou quando ajudou um
amigo em dificuldade, ou quando ficou horas estudando porque
queria passar em um determinado exame. Com certeza você
já viveu muitas situações assim ou
semelhantes. E agora? Já dá para acrescentar
algo á sua lista de qualidades?
E você que tem uma lista
imensa de qualidades e não encontrou limites ou algo
que gostaria que fosse diferente em você? Será
que o perfeccionismo o faz pensar que de fato já
é perfeito? Sabemos que ninguém é um
produto pronto e acabado e que somos seres em constante
transformação e movimento.
Então reflita:
- Está se ocupando com você mesmo?
- Está satisfeito com seu lazer?
- Com sua alimentação?
- Com sua qualidade de vida?
Reflita e veja o que poderá ser trabalhado em você
para equilibre sua necessidade de ter com sua necessidade
de Ser.
Agora que você já está com suas 2 listas
prontas, busque pelas qualidades que poderão ajudar
você a vencer tudo o que está na outra lista.
- Você pode usar sua generosidade para ser menos
crítico e mais amável com você mesmo?
- Você pode usar o discernimento que possui para
reconhecer que sua auto-estima não depende do que
tem mas do que é?
Traga outras questões dependendo de como ficaram
suas listas. Procure comparar as listas e perceber quais
recursos da lista de qualidades você poderá
usar para vencer seus limites.
Assim você vai construindo sua auto-estima, vai reconhecendo
o valor que possui, vai conquistando posturas e comportamentos
que tragam mais satisfação, mais alegria,
mais leveza diante de você mesmo, do outro e da vida.
Sim, porque a construção de sua auto-estima,
assim como de todo o desenvolvimento do Ser é um
trabalho individual e intransferível. E este trabalho
começa no momento em que você sai do controle
e se entrega a você mesmo, encarando a sua verdade,
parando de ficar se contando historinhas para justificar
a forma como se sente. Quando você resolve encarar
os fatos e se perguntar: “E agora? O que eu faço
com isso?”
E quando você lança a pergunta, a vida sempre
traz uma resposta porque não existe problema sem
solução, não existe beco sem saída.
Continue trabalhando com suas listas, talvez você
descubra mais coisas sobre você mesmo.
É preciso confiar em você, acreditar em você
e em todos os seus potenciais de realização.
Porém é preciso também trabalho interno,
é preciso compreender que todos estamos na vida para
aprender. E aprender com a experiência.
Quantas vezes você já buscou por livros de
auto-ajuda? Quantos livros já devorou? No entanto,
não consegue caminhar e não caminha porque
adquiriu somente um conhecimento intelectual. Não
incorporou o conhecimento em sua vida, não integrou
o conhecimento.
Da mesma forma, quantos são formados em universidades,
resolvem questões complexas no dia a dia e no entanto
não conseguem administrar suas emoções,
sendo sempre envolvidos por circunstâncias ou por
pessoas?
Só o conhecimento não ajuda, é preciso
conquistar a sabedoria e a sabedoria se conquista quando
o conhecimento passa a ser experiência. É preciso
trazer para a vida o conhecimento que se conquista.
É preciso transformar para crescer, mudar o que
não está sendo satisfatório, trazer
um jeito novo de olhar para seus velhos problemas. Muitas
vezes você precisa continuar convivendo com as mesmas
coisas, porém levando um novo olhar a elas. Um olhar
diferente, pautado na auto-aceitação, na valorização
de si mesmo e da vida, no respeito por você mesmo.
É isso que muda.
Se a sua baixa-estima faz com que você não
estabeleça um bom relacionamento com seu chefe, se
com isso você se sente humilhado e rejeitado, de nada
vai resolver mudar de emprego ou torcer para que mude o
chefe, porque o problema vai se repetir, e se repetir, e
se repetir até que você mude a você mesmo,
até que você se respeite e se valorize.
Assuma de vez a responsabilidade por sua vida, pois você
tem um projeto, um plano a ser realizado, não se
perca olhando para fora, não se perca tentando agradar
para ser aceito, mas procure descobrir a que veio e tenha
esta certeza como um farol que o conduzirá rumo á
uma vida mais plena, mais feliz e mais satisfatória.
Maria Célia
D. Guilherme
Psicóloga Transpessoal, Palestrante e Coordenadora
das Oficinas Terapêuticas Cuidar do Ser - e-mail: mariacellia@hotmail.com
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