Brasigóis Felício nasceu em Aloândia (Go) em 1950. Tem 20 livros publicados, entre obras de poesia, conto, romance, crônica e crítica literária. Em sua bibliografia destacam-se Hotel do tempo, poesia, (Editora Civilização Brasileira, l982); Monólogos da Angústia, contos, (Prêmio Bolsa de Publicações Hugo de Carvalho Ramos, Diários de André, romance censurado e apreendido em 1976, por ordem do ex-ministro da Justiça, Armando Falcão; Viver é devagar, crônicas, l998, Literatura Contemporãnea em Goiás, crítica literária, O tempo dos homens sem rosto, poesia, Editora Estação Liberdade, e Memória da solidão, contos, Coleção Karajá, da Agência Goiana de Cultura.
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“A doença é uma ausência, e não uma presença”. (Joel Goldsmith). A graça e a saúde são atributos essenciais inerentes ao espírito e ao corpo. Representam, no fundo, a mesma realidade, só que em diferentes níveis de energia (assim como o são o corpo e o espírito). Mens sana, corpore sano. Mente sã, corpo são. Assim diz o brocardo latino.
A graça é a saúde do espírito, assim como está em estado de graça o corpo saudável. A des-graça (falta de graça) estando presente no espírito e na mente (a dimensão mais densa do espírito), redunda em ausência de saúde no corpo – isto é, em doenças. Assim, dizem os sábios: quando o corpo adoente, a mente (composta por intelecto, emoções, sentimentos) e a alma profunda adoeceram primeiro.
Ao corpo nada ocorre que à mente e à alma já não tenha ocorrido. Assim, quem é são de espírito, também o é em suas emoções, sentimentos, bem como em seu corpo físico. Assim são a lei e a ordem natural das coisas. Revogar ou inverter as leis que regem a vida é impossível. Não sabendo disto, fizemos da maravilha da vida um corpo insano, esquecido da lucidez que o ilumina.
Sábios de todos os tempos assinalam o que os hospitais e clínicas psiquiátricas lotados confirmam: uma sociedade que funciona com base na inversão da consciência e na agressão às verdades e ao sentido natural da vida não pode senão produzir distorções que resultam em enfermidades, em todos os níveis do Ser.
Mais e mais pessoas entram em angústia e desespero, envolvidas que estão pela agonia da competição por um lugar ao sol, no deus mercado que tudo perdoa, menos o fracasso. Uma pessoa que não esteja colocada como consumidora frenética e insaciável de produtos será vista como estranha ou nociva. Nem mesma serão considerados seus direitos de cidadania.
Uma vez alcançando uma posição que a permita ser consumidora, cairá na armadilha, tornando-se consumidora compulsiva daquilo de que não precisa – e até do que a prejudica em sua saúde física e mental. Ao não alcançar a satisfação e a felicidade nas coisas que adquire, será presa de solidão e angústia – vítima preferencial dos transtornos do comportamento que avançam, de forma avassaladora, sobre pessoas de todas as idades, a começar das crianças, que hoje entram precocemente nesta ciranda do absurdo.
É possível não ser vencido por esta máquina de gastar gente e produzir sofrimento e infelicidade? Sim, vivendo para a realidade do mundo, e não para as suas ilusões. E isto se faz no caminho de um aprendizado essencial, que nos propõe o movimento Pensadores Compulsivos Anônimos, composto por pessoas viciadas em pensamentos destrutivos:
Os condicionamentos nos impedem o despertar da inteligência; O vício é um hábito cultivado, um meio de fugir à vida e à inteligência; não se deixe explorar em virtude de sua própria estupidez e ilusão; o preenchimento não reside no abandono, mas na compreensão; A irreflexão e o automatismo são as raízes da estagnação mental. O que É não oferece consolo. Quantos, vencedores vencidos, precisam com urgência fazer parte deste grupo de pessoas viciadas em sofrimento!
Brasigóis Felício
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