Brasigóis Felício nasceu em Aloândia (Go) em 1950. Tem 20 livros publicados, entre obras de poesia, conto, romance, crônica e crítica literária. Em sua bibliografia destacam-se Hotel do tempo, poesia, (Editora Civilização Brasileira, l982); Monólogos da Angústia, contos, (Prêmio Bolsa de Publicações Hugo de Carvalho Ramos, Diários de André, romance censurado e apreendido em 1976, por ordem do ex-ministro da Justiça, Armando Falcão; Viver é devagar, crônicas, l998, Literatura Contemporãnea em Goiás, crítica literária, O tempo dos homens sem rosto, poesia, Editora Estação Liberdade, e Memória da solidão, contos, Coleção Karajá, da Agência Goiana de Cultura.
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No inferno verde
da hiléia brasileira
há um cortejo
de crianças mutiladas.
Em Ariquemes, as serras
ceifam vidas infantes
e a esperança tomba
no esplendor do mundo.
A esperança ceifada
apaga a luz do futuro
e torne obsceno
o “salve lindo”
pendão da bonança.
São crianças sem alma
( nunca foram amadas)
são crianças só palmadas
nunca foram mimadas.
Em Ariquemes
as serras serram ao meio
as vidas surgentes.
As gerações futuras
vão esperar em vão
o sol desta grandeza.
Se o presente
ceifa o amanhã,
a vida é assassinada
em deserto desenvolvido
pela frieza das almas.
Brasigóis Felício
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