Crises
e crescimento
William
Rezende Araújo |
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"Crise é o fermento
do crescimento"
Todos, em alguns pontos de sua
caminhada, passam por períodos de revisões.
São as necessárias fases de
parada e reavaliação do que
se foi e se fez até então. Às
vezes eles se afiguram como sombrios, permeados
por inquietude, insatisfação,
frustração e vontade de mudar
tudo. Uma tendência a negar o passado
e o presente e o desejo de buscar outros caminhos
completamente diferentes daqueles até
então percorridos. E isso acontece
intermitentemente ao longo de toda a vida,
desde a adolescência até a velhice.
É assim como se a natureza em sua sabedoria
sacudisse-nos para acordarmos e sairmos do
marasmo, dizendo: está na hora de crescer!
Alguns se assustam e perguntam-se: por que
isso agora quando a minha vida estava tão
estável? O que está acontecendo?
O que há de errado comigo? Não
há nada de errado. Errado é
passar a vida no mesmismo e não crescer
nunca! A imagem de uma vida tão calma
e previsível quanto um lago parado
pode ser poética e confortável,
porém é morta. É um lago
sem vida, estático e de falsa beleza.
Sob sua aparência esconde no seu fundo
muita lama e sujeira e basta um pequeno movimento
para suas águas se tornarem turvas.
Enquanto isso, o mar em seu movimento eterno,
com suas ondas que nunca são iguais
umas às outras, traz renovação.
Ele consegue modificar até o aparente
imutável que são as rochas que
se lhe antepõem no caminho. Em seu
fluxo e refluxo deixa limpa a areia das praias.
Ele é o elo que liga todas as terras
e povos. Isto é vida renovada! O lago,
por sua vez, continua pequeno, quieto, fechado
em si mesmo. É um egoísta com
muito medo de viver disfarçado em sua
aparente calma. Por isso o mar está
sempre crescendo, o lago não.
Portanto, os momentos de mudança
na vida são verdadeiros ritos de passagem
e que não devem ser temidos, mas ansiados
e até bem-vindos. Eles são uma
grande oportunidade de crescimento interior
se bem aproveitados. É quando somos
forçados a tomar consciência
de nós mesmos. Observe como, depois
de algum sofrimento, dor ou dificuldade a
pessoa sai dele um pouco maior, mais sábio.
Claro que, muitas vezes, o preço a
se pagar por esse aprendizado é alto
e ninguém vai ficar desejando sofrer
como meio de crescer e saber mais! Mas, depois
de séculos sujeitas a essas tempestades
espontâneas, fora do nosso controle
e pouco compreendidas, hoje, em todo o mundo,
mais e mais pessoas estão descobrindo
que não é necessário
aguardar as intempéries ocasionais
para aprender sobre a vida e estão
procurando conscientemente conhecer melhor
a si mesmas. Através dessa busca encontra-se
o meio facilitador de acelerar o processo
de crescimento e conseguí-lo não
só sem dor, como também antecipando
e evitando a necessidade de passar por esses
mesmos momentos de maneira imprevista e para
os quais nunca se está preparado. É
com muita satisfação que tenho
visto um número cada vez maior, inclusive
de pessoas bem jovens, dedicando-se a esse
caminho promissor e aprendendo coisas que,
se deixadas ao sabor da própria vida,
iriam descobrir muitas delas somente na velhice
e aí talvez o tempo se mostraria curto
para aproveitá-las. Fico imaginando
quanto terão crescido e quanto saberão
quando estiverem na maturidade! Como será
bom para eles não ter que passar por
situações de aprendizado doloroso
que muitos de nós tivemos que fazê-lo
para sabermos o que agora sabemos.
Mas, não importa a idade
e nem quantos anos nos restam, o importante
é fazer ativamente algo para que a
vida daqui em diante se torne cada vez mais
plena e cheia de sentido, aprendendo a questionar-se
e reavaliar-se porque, cinco, dez ou quinze
anos felizes, valerão muito mais que
todos os anos passados no escuro. Caso contrário
resta apenas sentar-se às margens do
lago parado da própria vida e aguardar
passivamente a morte chegar.
William
Rezende Araújo
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