Descomplicando
a vida Palestra
proferida em SERRA NEGRA por Sudha Gupta - diretora
geral da Brahma Kumaris no território da antiga
União Soviética.
Quando praticamos a espiritualidade, ela pode
descomplicar a nossa vida em muitos aspectos. A época
em que vivemos é definida como a idade do ferro ou
kalyuga. Kalyuga tem três significados. O primeiro
é a era das máquinas. Temos muitas máquinas
com o objetivo de simplificar as nossas vidas, mas as pessoas
se tornaram tão mecânicas. O segundo significado
é a era da morte, porque nessa época presenciamos
muitas mortes súbitas e muitas mortes por acidentes.
O terceiro é a era dos problemas e dos conflitos.
Vivemos numa época tecnológica avançada
e com uma série de problemas. Qualquer pessoa que
você pergunte não lhe responderá que
sua vida está indo tão bem, que está
passando de forma muito suave. Várias situações
estão além de nosso controle. A maneira como
olhamos para os problemas os torna tão complicados.
Nós complicamos nossas vidas.
Relacionamentos humanos é o assunto
que ocupa grande espaço em nossa existência
hoje. Existe uma vasta descrição sobre relações
humanas, comunitárias, internacionais e familiares.
A dificuldade de relacionamento entre pais e filhos afeta
cada um de nós; esta é a causa de muita pressão,
preocupação, desânimo e até depressão
de muitos. Somos nós que tornamos as situações
mais difíceis ou mais suaves.
O primeiro aspecto é que muitos problemas
surgem do desentendimento entre as pessoas e por causa de
falha de comunicação entre elas. Hoje em dia
cada um vive de forma a ficar isolado, as pessoas não
se reúnem e não compartilham e então
têm problemas de comunicação. Quanto
mais tempo você fica sem se comunicar com os membros
da família, maiores ficam os problemas. O obstáculo
é o ego, a arrogância que domina todas as pessoas
e por isto ninguém quer tomar o primeiro passo para
iniciar a conversação. As pessoas pensam que
se eu chegar até o outro eu vou ficar menor que ele,
inferior, e então ninguém inicia o diálogo.
Mas nós não percebemos que aquele
que dá o primeiro passo demonstra um grande ato de
coragem. Na verdade, você não se torna mais
fraco mas muito poderoso. Isto é um grande ato de
humildade. Só os grandiosos são humildes.
Só alguém com grandes qualidades é
capaz de curvar-se e de ser humilde. Temos que remover a
face falsa deste ego que carregamos e entender que este
não é nosso verdadeiro ser, senão nos
sentiríamos muito confortáveis com ela. Nosso
verdadeiro ser é muito pacífico e dócil.
É por isto que queremos que nossos parentes e amigos
tenham estas qualidades. Ninguém gosta de ter pessoas
arrogantes e egoístas ao seu redor. Temos que regularmente
fazer emergir estas qualidades em nós, deixando de
pensar sobre os defeitos das pessoas, e também espalhando
amor sobre os que estão à nossa volta.
O segundo aspecto é o hábito
de falar mal sobre os outros que traz complicação
para nós, para o outro e para a atmosfera. Simplesmente
ao pensar sobre isto faz com que nossa energia mental seja
perdida, e falar sobre isto mais ainda. Quando nossa energia
está escoando, nos sentimos pesados e exaustos. Ao
pensar sobre a negatividade do outro não somos capazes
de ajudá-lo, mas estamos regando as raízes
das negatividades fazendo-as crescerem. Ninguém é
perfeito neste mundo, então eu tenho defeitos, o
outro também tem defeitos. Se eu realmente quiser
que o outro fique livre de seus defeitos, primeiro tenho
que desenvolver bons votos pela pessoa, e segundo tenho
que conversar com ela sobre seus defeitos e não com
outros. Falar com outros sobre os defeitos de alguém
complica a situação. Cada um que ouve fala
para mais um, este para outro e vai assim até chegar
no ouvido da pessoa de forma tão maior, como um elefante.
O melhor método é: primeiro, apreciá-la,
elogiá-la. Você tem esta qualidade, você
tem esta outra virtude e a pessoa então fica pronta
para ouvir o remédio amargo que oferecemos a ela.
Temos que colocar um invólucro doce nas pílulas
porque senão o remédio amargo é cuspido.
Hoje os remédios são facilmente engolidos
por causa de suas coberturas de açúcar. Se
você ficar criticando, difamando, a pessoa não
aceitará seus comentários. Em terceiro lugar,
quando conversamos com alguém, temos que levar em
consideração o lugar, o momento e o estado
mental. A semente pode ser de excelente qualidade mas se
o local não foi preparado, o resultado não
será bom. Então quando falar, os passos que
são dados são importantes. A quarta coisa
que devemos levar em consideração é
a paciência. Devemos ser pacientes como um agricultor.
O agricultor não diz: por que a árvore não
está surgindo da semente? Mas ele planta, rega, aguarda
e um dia a árvore surge.
O terceiro aspecto é relembrar momentos
amargos do passado. A pessoa amplia uma coisa do passado.
Dois minutos de palavras amargas são alargadas por
5 anos. Quem é o culpado? Quem falou por dois minutos
ou eu que carreguei aquilo por 5 anos? Temos que aprender
a colocar um ponto final no passado. Criamos pontos de interrogação,
mas agora é hora de colocar ponto final. O passado
é como um fantasma que gruda em você. Ele é
capaz de sugar toda sua energia. Não desperdice seu
presente ao ter pensamentos sobre ontem. Presente é
presente. Passado é passado. Temos que deixar o passado
ser passado e o presente ser presente. Para isto temos que
perdoar e esquecer. Perdoar os outros e perdoar a nós
mesmos. Se não esqueço o passado torno minha
vida muito complicada.
O quarto aspecto é a expectativa. Se
nossa expectativa é maior que a capacidade do outro,
fica complicado. A expectativa pode ser o desejo de receber
o retorno de uma pessoa, por exemplo, dos filhos. Quando
eles crescem não mais se importam com os pais e estes
ficam chocados e se queixam: passamos por dores, cuidamos
deles e eles não se importam conosco! Temos que entender
que cada pessoa tem um papel a desempenhar na peça
da vida. A espiritualidade nos explica isto. Eu não
posso culpar alguém, preciso ser tolerante e aceitar
as situações como são. Tudo o que pudermos
fazer de bom para nossos pais, parentes devemos fazer mas
sem esperar o retorno deles porque existe grande possibilidade
de não o recebermos. Se o retorno vem, é bom,
se não, não devemos perder a paz mental.
O quinto aspecto são os desejos materiais.
Eles complicam nossas vidas. Tem pessoas que mesmo com o
guarda-roupa cheio nunca estão satisfeitas. Elas
sempre querem mais uma peça e se não têm
os recursos necessários, torna-se complicado. Os
desejos estão conectados a nos compararmos com outros.
Meu amigo tem e eu não. A moda é esta, então
eu quero isto, etc. Na Índia existe o ditado que
devemos esticar nossas pernas apenas até o tamanho
da nossa cama porque senão sentiremos frio nos pés.
Isto é, devemos limitar nossos desejos. Devemos ensinar
crianças pequenas a não se compararem com
outros e a desenvolver uma atitude de auto-respeito e dignidade.
Auto-respeito se desenvolve de acordo com o conhecimento
de quem nós somos. Quando os pais são capazes
de criar tal atmosfera de crescimento no lar, os filhos
desenvolvem auto-respeito. Ensinamos crianças pequenas
através de nossos exemplos e não com palavras.
O sexto aspecto é que temos que preencher
nossa natureza com bom gênio. Tornar a nossa vida
mais cheia de humor, mais fácil.