Diálogos sobre
tédio e insatisfação
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Não há nada mais insuportável para
o homem do que estar completamente ocioso, sem paixões,
ocupações, diversões ou leitura. Ele
sente que não é nada; é só,
inadequado, dependente, impotente e vazio. E na mesma hora
brota do fundo de seu coração o tédio,
o desanimo, a tristeza, a raiva, o desespero, a aflição...
A grandeza do homem repousa na consciência de ser
miserável. Uma vez reconhecido o vazio interior,
cria-se um vácuo em que Deus pode entrar. Esse abismo
infinito só pode ser preenchido por algo infinito
e imutável, ou seja "Deus".
Pascal
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A coisa
real é o descontentamento do homem, o descontentamento
inevitável. Ele é algo precioso, uma jóia
de grande valor. Mas o homem tem medo do descontentamento,
ele o dissipa, o usa ou o deixa ser usado para produzir certos
resultados. O homem está amedrontado com seu descontentamento,
mas este é uma jóia preciosa, de valor inestimável.
Viva com ele, observe-o dia após dia, sem interferir
com os seus movimentos, então é como uma chama
consumindo toda a impureza, deixando o que não tem
morada nem medida. Leia tudo isso com sabedoria... Permanecemos
presos nas rotinas do embotamento, porque pensar com muita
seriedade significa estar descontente, o que é muito
doloroso; e a maioria de nós não deseja atrair
tristezas. Desejamos fugir da tristeza, e por isso toda a
nossa estrutura de pensamento é confusão, distração...
Ser sensível significa dor; mas precisamos ser dolorosamente
sensíveis, para compreender. Entretanto, procuramos
manter-nos do lado de fora da dor, e, evitando-a, reduzimo-nos
a simples máquinas de imitação.
Krishnamurti |
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O tédio
é uma das coisas mais importantes na vida humana. Somente
o homem é capaz de tédio; nenhum outro animal
é capaz de ficar entediado. O tédio existe somente
quando a mente começa a chegar cada vez mais e mais
perto da iluminação. O tédio é
simplesmente o pólo oposto da iluminação.
Os animais não podem tornar-se iluminados, por isso
eles não podem tornar-se entediados tampouco. O tédio
simplesmente mostra que você está se tornando
ciente da futilidade da vida, da constante roda repetitiva.
Você já fez todas aquelas coisas antes –
nada acontece. Você esteve dentro de todas aquelas viagens
antes – não deu em nada. O tédio é
a primeira indicação de que uma grande compreensão
está surgindo em você, sobre a futilidade, a
insignificância, da vida e de seus caminhos. |
Ora, você pode responder ao tédio de duas
maneiras. Uma é o que é feito comumente: fugir
dele, o evitar, não olhar olho no olho dentro dele,
não afrontá-lo. Mantenha-o às suas
costas; e fuja; fuja para dentro das coisas que possam ocupá-lo,
que podem tornar-se obsessões – que o mantenha
tão afastado das realidades da vida, que você
jamais vê o tédio surgir novamente. Eis porque
as pessoas inventaram o álcool, as drogas. São
meios de fugir do tédio. Mas você não
pode realmente fugir; você pode somente evitar por
um tempo. Nova e novamente, o tédio virá,
e nova e novamente ele será cada vez mais e mais
ruidoso. Você pode fugir no sexo, comendo muito, na
música – em mil um uma espécies de coisas
você pode fugir. Mas nova e novamente o tédio
surgirá. Ele não é algo que possa ser
evitado: ele faz parte do crescimento humano. Tem de ser
encarado. A outra resposta é encará-lo, meditar
nele, ficar com ele, ser ele. Eis o que Buda estava fazendo
debaixo da árvore Bodhi – eis o que todo o
povo do Zen esteve fazendo através das eras.
Osho
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O tédio é duplamente difícil de ser
diagnosticado e curado porque é uma doença
privada. Temos vergonha dele. Como a culpa ou a vergonha,
nós o escondemos atrás da cortina do silêncio
e da negação... Para moldar um quadro real
de quanto a nossa vida está moldada pelo tédio,
teremos de examinar seus efeitos secundários - todas
as maneiras de gastarmos nossa energia tentando escapar
desse mostro que juramos não estar atrás de
nós. A fuga frenética ( e as estratégias
de que lançamos mão para evitar o vazio) nos
dá uma indicação real de quanto tememos
o que os monges cristãos chamavam de "demônio
do meio-dia".
Que preço pagamos para manter uma auto-imagem falsa
de robustos extrovertidos que "nunca se aborreceram",
que "estão acima de tudo isso"!
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Quanto nos custa realmente negar nosso tédio?...
Quando começamos a perceber o quanto nos custam os
esforços "normais" que fazemos para fugir
do vazio de significado de nossa vida, fica claro que chegou
a hora de tirar a doença do armário...Fugir
do tédio e da depressão é perder tempo.
Entregue-se. Vá fundo. Estude sua enfermidade e ela
o levará à saúde... A consciência
do tédio é a porta de saída para a
jornada do herói!
Sam Keen
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O
grau de interpretação, de vivência e de
sede espiritual é diametralmente proporcional ao estágio
de consciência alcançado. E o grau de consciência
alcançado é diametralmente proporcional ao estágio
de desilusão alcançado. 0 grau de desilusão
alcançado é proporcional aos desejos realizados.
Anônimo |
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Debaixo
da superfície próspera das nossas vidas, ainda
experimentamos frustração e confusão,
ansiedade e desespero. Dentro das nossas sociedades, mesmo
os mais afortunados têm pouca esperança de liberação
completa da frustração e insatisfação...
Talvez as nossas tentativas de encontrar satisfação
estejam, na realidade, conduzindo-nos a frustrações.
É possível que estejamos cuidar da nossa pessoa
sem conhecer as nossas reais necessidades. Se alimentássemos
uma criança apenas com água e açucar,
ela poderia achar bom e chorar pedindo mais, mas internamente
permaneceria faminta e insatisfeita. Sem conhecer suas necessidades,
pode ser que continuássemos a lhe dar aquilo de que
ela parecesse gostar; suas exigências tornar-se-iam
mais insistentes e nossos esforços mais desesperados,
até que por fim, ela pereceria por falta de alimentação
adequada.
Tartang Tulku |
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...Uma
geração que não consegue suportar o tédio
será uma geração de homens menores. Bertrand
Russell |
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Se
alguns vêm a essa busca por causa do desgosto com o
mundo e seus caminhos, ou do desapontamento com a vida e suas
experiências, outro vêm a ela por causa do desgosto,
desapontamento ou insatisfação consigo mesmos.
Só alguns poucos vêm por causa da sede da verdade
pela verdade, ou por causa da sensação de falta
de plenitude oriunda de uma existência meramente materialista.
Paul Brunton |
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O aumento desses casos, apresentando depressão,
vazio, tédio e solidão nas sociedades capitalistas
pode ser pensado como uma falsa promessa de preencher o
vazio existencial com um consumo exagerado que deveria prover
a felicidade eterna. Entretanto, o consumo das roupas de
grifes, carros possantes, filmes da moda, não são
suficientes para preencher esse vazio e ao mesmo tempo não
é oferecido um ambiente acolhedor e estável,
que abrigue as necessidades afetivas do indivíduo,
constituindo um espaço capaz de promover o desenvolvimento
de sua subjetividade. Não é de se admirar,
portanto, que o número de pessoas com um funcionamento
limite esteja aumentando, pois elas são o reflexo
de uma sociedade pouco preocupada com o bem estar dos cidadãos
e mais interessada na globalização e nos efeitos
econômicos. Essa pessoas estão em busca de
si mesmas, tentando desesperadamente lidar com a dor e o
vazio de suas existências.Tentando simplesmente existir!
Hegenberg
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