ESPIRITUALIDADE
E RELIGIÃO |
Tudo que escrevo aqui faz parte da minha
consciência de agora, mas eu me permito
mudar esta minha maneira de ver, passar uma
borracha em tudo, se a sua experiência
me mostrar uma nova maneira de ver. Eu estou
aberto a rever os meus conceitos e a mudar
de idéia a qualquer instante, desde
que seja para a ampliação da
minha consciência.
Eu acredito que a base de todos os meus sofrimentos
esta na palavra "inconsciência"
e que a base da minha recuperação
está na palavra "consciência"
- uma consciência clarificada pela ação
de um Poder Maior, de um Deus amantíssimo
da forma como eu O concebo.
A doença emocional é progressiva,
mas a recuperação e o conceito
pessoal de Deus, também são
progressivos. Eu prefiro usar a palavra 'Deus',
mas cada um pode usar da maneira que lhe convém.
Se estivermos no Aberto, podemos encontrar
respostas em todos os lugares e situações.
Sem união, não pode haver missão.
Sem unidade não pode haver "transmissão".
Transmissão é transmitir uma
mensagem que "trans-passa" o nível
'comum' de conhecimento. Transmitir é
ser um canal, ser um instrumento dessa Força
Superior, pois somente pela ação
do intelecto, não pode haver uma "real
trans-formação".
Eu pergunto para você: "a espiritualidade
pode existir sem a religião? E a religião,
pode existir sem a espiritualidade?"
E o que você entende por "espiritualidade"?
Eu acredito que a resposta a estas perguntas,
bem como a essência da palavra 'espiritualidade',
pode mudar totalmente a maneira de encararmos
a vida e a nossa função para
com ela. Para mim, podemos dividir a palavra
'espiritualidade', da seguinte maneira: ESPÍRITO
+ ATUALIDADE = O MEU ESTADO DE ESPÍRITO
ATUAL. Como é que está a qualidade
do meu espírito? Como é que
está a qualidade dos meus sentimentos
e emoções?
Na minha compreensão, a espiritualidade
vive sem qualquer tipo de religião,
mas a religião não pode viver
sem a espiritualidade.
Por já ter experimentado este tipo
de incomodo interior e por meio da observância
do coletivo, ficou bem claro para mim, o desconforto
que certas pessoas sentem ao ouvir alguém
relatando suas próprias experiências
pessoal de Deus. Às vezes eu fico me
questionando por que será que nos incomodamos
tanto quando alguém começa a
falar da sua própria crença
ou religião. No meu caso, me tornei
super sensível à religiosidade
de outras pessoas devido à série
de abusos religiosos que sofri durante a minha
infância e adolescência.
Muitos de nós, já experimentaram
fazer um enorme esforço pessoal para
se livrar de alguma imperfeição
ou defeito em seu próprio caráter,
sem obter um resultado satisfatório.
Conseguimos detê-lo por um certo período
de tempo, para depois voltar a sua prática
de forma ainda mais acentuada. Não
conseguimos 'positivar' de maneira satisfatória
este lado 'negativo' do nosso ser, apenas
a base da vontade própria. E é
por este motivo, que muitos de nós,
bem como nossos ancestrais, procuraram por
alguma religião ou filosofia para a
solução de suas 'negatividades
ou sombras'.
Por eu ter nascido numa família disfuncional,
eu sofri muito e fiz com que muitas pessoas
fossem afetadas devido a minha falta de consciência.
Nesta família, todos estavam tentando
sobreviver da 'inconsciência coletiva'.
Éramos todos prisioneiros entre prisioneiros
- prisioneiros da 'inconsciência pessoal'.
Quando tomei 'consciência' de que precisava
de ajuda para me libertar da minha 'inconsciência',
comecei a buscar em literaturas, instituições
e irmandades diversas, respostas para a minha
'inconsciência' que acabaram por me
tornar 'consciente' quanto as minhas questões
internas e quanto a minha 'falta de poder'
para transpassar o meu estado atual de consciência.
Falta de Poder - falta de consciência...
Esse foi sempre o meu real problema.
Eu pergunto a você: "Você
consegue mudar por si mesmo, uma só
das suas imperfeições?
Consegue remover por si mesmo um só
dos seus defeitos de caráter?...
Você de certo já deve ter ouvido
falar que o significado da palavra 'Religião',
vem de religare, e significa, "tornar
a ligar", ou seja, tornar um só,
tornar uma unidade. Acredito que em todas
as religiões encontraremos princípios
espirituais cuja função é
tornar possível esse processo de unicidade,
de individuação do ser humano.
Se procurarmos de mente aberta, com certeza
os encontraremos.
Os grupos anônimos possuem princípios
espirituais, porém não religiosos,
que tem por função o preparo
do ambiente interior propicio para que a graça
de um Deus amantíssimo possa proporcionar
a unidade interna do ser humano.
Quase todo ser humano passa a procurar por
algo que possa dar sentido ao seu sofrimento
interior. Eu pergunto a você: Em algum
momento você teve a curiosidade de procurar
o significado da palavra 'sofrer'?
Sofrer significa tolerar, suportar, consentir,
conformar e resignar, que por sua vez significa
'renúncia espontânea da Graça'.
Eu acredito que a função das
religiões e da espiritualidade é
responder o por que do sofrimento, bem como
uma maneira de crescer por meio do mesmo.
Você acredita que a 'unidade interna'
do ser humano possa ocorrer tão somente
pelo esforço da vontade pessoal?
Você acredita que a graça de
Deus possa ser dispensável na ocorrência
de tal unidade interna?
Eu acredito ser fundamental a observância
e prática de 'princípios espirituais'
que se mostraram funcionais durante o transcorrer
dos tempos, para que a Graça de Deus
possa trazer a 'unidade interna' necessária
para a qualificação da vida
do ser humano. E acredito também, que
a maior felicidade do ser humano esteja no
recebimento da graça de Deus, capaz
de potencializar os seus talentos naturais,
muitos dos quais até então em
estado dormente e no privilégio de
ser um testemunho vivo da ação
da graça vivificante de Deus. Ser um
instrumento a serviço da graça!
No meu caso, só experimentei essa graça,
quando passei da crença, para a descrença
e da descrença para a 'experiência'.
Não conhecemos a Deus pelo intelecto,
mas sim, pela experiência.
Outra questão que gostaria de colocar
é quanto a questão do 'conformismo'.
Tenho a absoluta certeza que as minhas depressões
do passado foram resultantes do meu 'conformismo'
ao sistema de convenções e crenças
familiar e social. Enquanto eu não
tive a disposição e a coragem
para inventariar, questionar e 'abrir mão'
das crenças e convenções
que me foram impostas, não comecei
a caminhar para este meu processo atual de
liberdade interna.
Hoje eu tenho a opção de optar
e de não mais me conformar, me resignar,
pois ficou bem claro para mim, que a resignação
leva para a 'estagnação' que
impede a livre expressão da graça.
E com isso, a vida e os relacionamentos ficam
sem graça. Os assuntos e atividades
ficam sem graça. Creio que a qualidade
da transmissão da mensagem que eu passo
é diretamente proporcional à
experiência pessoal da graça.
Eu pergunto para você:
"O que é que está lhe animando
ou desanimando hoje - uma crença ou
uma experiência?"
"Qual o propósito da sua vida?"
Para mim, foi me passado uma série
de propósitos na vida, tais como: você
tem que vencer, tem que ser um grande homem,
tem que ter um bom salário, tem que
ser um vencedor, tem que ter sucesso... tem
que, tem que e mais uma série de tem
que. Durante muito tempo corri atrás
da realização desses propósitos.
Hoje, meu propósito já não
tem mais nada a ver com isso. O meu propósito
é o de 'ampliar esta minha unidade
interna por meio de uma relação
consciente com Deus - um Deus concebido e
não mais intelectualizado. Este propósito
atual, direcionado para o interior, é
que está me dando condições
de ver o exterior de uma forma bastante diferente.
Um abraço fraterno,
Nelson
Jonas |