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Para onde estaremos evoluindo?
Todos os dias faço a mesma
pergunta, com tantos avanços tecnológicos,
econômicos e industriais, percebo que o homem tem
se resignado a ser um mero coadjuvante do papel que a
máquina exerce no mundo de hoje.
Os pensadores antigos que imaginaram
o homem do séc 21 como um ser de idéias
e ações avançadas e corretas, devem
estar pulverizando seus crânios de tanto remexer
em suas sepulturas. O homem atual não tem pudor,
não tem ética (ao não ser a própria,
ou a própria para a situação), deixa
se levar como um cordeirinho pelas garras da mídia
afoita para vender seus produtos em troca de um saldo
estratosférico em sua conta bancária. Ele
vai para a televisão e fica excitado ao ver mulheres
desfilando nuas e mostrando corpos perfeitos, e o pior,
idealiza-as como mulheres de verdade, o mesmo acontece
com o sexo oposto, as mulheres ficam extasiadas vendo
homens nus exibindo seus corpos malhados na TV.
Muitos recorrem à plástica
para se sentirem mais belos e atraentes, e se esquecem
que a plástica não modifica o genes de cada
um, ou seja, por mais descorado e nariz arrebitado que
seja o Michel Jackson seu filho irá nascer com
fortes traços da raça africana. Tudo bem,
talvez agora com o mapeamento do genoma isso seja possível,
mas e daí? Será que um filho gerado “self
service” seja mesmo interessante, para os pais,
ou será que os pais são levados por alguma
força oculta a brincar de gerar Franksteins? Quem
garante, por exemplo, que ao modificar um gen humano não
possamos estar gerando criaturas imperfeitas do ponto
de vista fisiológico?
Alguém disse certa vez
que o homem tem se preocupado tanto com sua aparência
externa pelo fato de ter perdido as esperanças
em recuperar o interior. É como o caso da família
que para os vizinhos é perfeita, mas que na realidade
é um ninho de víboras com uma pronta a picar
a outra a qualquer momento. O homem moderno se esconde
atrás de mascaras que criam a imagem que deseja
apresentar no momento em que deseja, ninguém sabe
mais com quem anda, com quem dorme, nem nós mesmo
sabemos quem somos.
Nas nossas relações
temos pessoas que lhe tratam como irmãos mas que
guardam punhais na manga para, no momento certo desfechar
o golpe certeiro sobre nossas jugulares. As relações
de amizade não têm mais importância,
não precisamos de amigos e apenas de nosso ego.
Nós estamos fomentando
nossa própria extinção, a cada dia
que passa somos mais dependentes do sistema. Estamos cada
dia mais sedentários, preguiçosos e vaidosos,
a lei é ser belo, forte e interessante com o mínimo
de esforço. Ginástica passiva, academias,
clinicas estéticas, tudo para tornar-nos menos
humanos e mais esteticamente aceitáveis. Cremes,
geles, pastas e ungüentos, tudo para não nos
deixar envelhecer para que sejamos sempre jovens. Por
fora musculosos, pele lisa, morena, por dentro osteoporose,
câncer, anemia, LER, depressão, stress. São
os negros cortando o cabelo rente a cabeça para
não apresentar o cabelo crespo, são os brancos
tomando banho de sol para ficarem mais escuros, dá
para entender?
É imoral vermos esse desfile
de corpos nus maravilhosos na televisão enquanto
grande parte da população não consegue
alimento nem para cobrir suas costelas com uma fina camada
de carne.
São modelos que ganham milhões
em apenas alguns meses, e que tem o exterior belíssimo,
mas quando abrem a boca, sai de baixo, temos vários
exemplos e eu não preciso citá-lo. Agora
o outro lado da moeda, estes modelos são na verdade
marionetes de um sistema que precisa vender seu produto
e de forma a maximizar o retorno de seus investimentos,
não sabem que estão sendo usados, podem
até saber, mas estão sendo muito bem remunerados
para isso.
Fico com pena dos pais, quais os
exemplos que ele pode dar aos seus filhos de pessoas que
estudaram sério e com afinco? O professor estressado
que muitas vezes nem casa própria tem? O rapaz
que tornou-se um profissional sério e digno e que
não consegue uma promoção?
Os mais “nobres” exemplos
da televisão brasileira: A loira oxigenada que
ganha milhões rebolando? O jogador de futebol que
não deve ter terminado o ensino fundamental e vive
dando volta em Ferraris e participando de orgias dionisíacas?
Ou seria o político que não pensa em ninguém
mais que não seja ele?
Tenho um amigo que disse certa
vez que nos temos de duas a três gerações
perdidas neste país, temo que não seja só
isso. Além disso, o adestramento pelo qual passamos
nos faz cada dia mais estandardizados, sabendo apenas
uma arte ou ciência, nada mais nem fritar um ovo.
Daqui a algum tempo não
saberemos fazer nada mais do que fomos adestrados para
saber.
Não é possível
continuarmos assim, precisamos fazer nossa parte e tentar
mudar isso tudo, não adianta ficar no bar enchendo
a cara com cerveja de terceira categoria e levantando
questões que não levaram a lugar nenhum,
temos de agir, se cada um fizer sua parte já é
o bastante.
Carlos Alberto
Fonte: http://macaubeiro.no.sapo.pt/arquivo/anonimo%201%20a%205.htm
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