Levando a Mensagem Krishnamurti - 8 de
fevereiro de 1953 – Palestra em Bombaim
Do livro: Autoconhecimento – base da Sabedoria
Pergunta: Possuis uma
técnica que eu possa aprender de vós,
de modo que eu também possa levar a vossa mensagem
aos sofredores e aflitos?
Krishnamurti: Senhor,
que entendeis por “levar uma mensagem?”
Entendeis repetição de palavras –
propaganda? A propaganda, por sua própria natureza,
é um meio de condicionar a mente. Qualquer espécie
de propaganda – a propaganda comunista, a propaganda
religiosa, etc. — visa condicionar a mente, não
é verdade?
Se aprenderdes uma “técnica” (como o chamais), um método,
se o decorais e repetis, sereis um bom propagandista;
se sois arguto, hábil, eloqüente, condicionareis
os vossos ouvintes de uma maneira nova, em substituição
da antiga; mas isso será ainda condicionamento,
ainda limitado. E tal é o nosso problema, não
é verdade?
Os problemas surgem porque estamos condicionados. Nossa
educação nos condiciona. É possível
ser a mente livre de condicionamento? Esse estado tem
de ser descoberto. Não se pode dizer que ele é
possível ou impossível. Quando perguntais
“possuis uma técnica?” Que entendeis?
Talvez entendais um método, um sistema para aprenderdes
como um colegial e para repetirdes. Ora, Senhor, o problema
é algo muito mais fundamental, e radicalmente diferente,
não achais? Não há técnica
que aprender. Não necessitais levar a minha mensagem;
o que deveis levar é a vossa mensagem, Senhores,
e não a minha.
Esta existência de sofrimento e confusão
é o vosso problema. Se o compreenderdes, se puderdes
compreender a experiência de uma mente condicionada,
e passar além, sereis vós então quem
ensina; não haverá então mestre,
e não haverá discípulo. Mas, tendes
de compreender a vós mesmos, e não de aprender
a minha técnica ou levar a minha mensagem. Senhor,
o que importa é que se compreenda que este é
o nosso mundo; que juntos podemos construir este mundo:
juntos e felizes; que nós, vós e eu, estamos
em relação um com o outro; que o que fazeis
e o que eu faço, interiormente, é de grande
significação; que a maneira como pensamos
é importante; e que o pensamento, que é
sempre condicionado, não resolverá o nosso
problema. O que resolverá o nosso problema é
a compreensão das tendências do nosso pensar.
No momento em que compreendermos a maneira como pensamos,
dar-se-á uma radical transformação,
interiormente não seremos mais hinduístas,
cristãos, comunistas, socialistas ou capitalistas;
seremos entes humanos, entes humanos dotados de sentimentos,
de amor, de consideração. Isso não
resulta meramente de se aprender uma técnica ou
de se levar a mensagem de outro homem.
Não se pode adquirir amor mediante o emprego de
uma técnica. Pode-se adquirir sensação,
por meio de uma técnica; essa coisa, porém
não é amor. O amor é algo que se
não pode ensinar, que se não pode difundir
por meio dos jornais, de técnicas, de propaganda.
Ele tem de ser sentido e tem de ser compreendido. Mas
se repetis “amor, amor, amor”, isso não
tem sentido nenhum. Tereis conhecimento desse amor, quando
vossa mente for tranqüila, quando estiver livre do
seu condicionamento, das suas ansiedades, dos seus temores.
E esse amor é que é a verdadeira revolução,
a qual alterará todo o processo do nosso ser.
Krishnamurti - 8 de fevereiro de 1953 – Palestra
em Bombaim
Do livro: Autoconhecimento – base da Sabedoria
......
CUIDAR DO SER - Av. Zunkeller, 57 - Alto do Mandaqui - São Paulo - SP -
Tel.: (11) 6258-6590 - sac@cuidardoser.com.br