MATRIX
Um estudo arquetípico sobre a
rede do pensamento condicionado
Capítulo X
A importância da pergunta correta |
É a pergunta que nos impulsiona, Neo |
| Fazer a pergunta correta não é fácil; mas, justamente quando fazemos a pergunta correta e sabemos considerá-la devidamente, já temos a resposta. A dificuldade em geral, é que não sabemos muito claramente o que desejamos perguntar. Estamos muito confusos e, tateando no meio de nossa confusão, fazemos uma ou duas perguntas, na esperança de nos esclarecermos. |
| Mas, uma mente que está confusa não pode encontrar a claridade, a luz de que necessita. Estando confusa, não pode encontrar a luz, não pode achar a compreensão, não pode despertar a inteligência criativa e amorosa. Mas, o que ela pode fazer é averiguar porque está confusa, qual a origem da sua confusão, e examiná-la devidamente. Devemos começar com a confusão, e não com o desejo de encontrar compreensão ou clareza. |
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Como pode uma mente confusa encontrar a luz? O que encontrar será também confuso.
Ao tentarmos encontrar a solução de um dado problema estamos evitando a compreensão do próprio problema. Se temos um problema, nossa reação instintiva é achar-lhe a solução, encontrar de qualquer maneira uma saída desse problema; e, geralmente encontramos uma solução que temporariamente nos satisfaz. |
| Mas o problema volta por outro caminho. Matrix deixa Isso claro na cena em que Neo enfrenta o agente Smith dentro da estação do metrô. Neo pensa ter derrotado o agente Smith, ao jogá-lo embaixo do trem em movimento; mas, tão logo lhe vira as costas, o agente ressurge de dentro do vagão de um outro trem. |
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Se em vez de procurarmos solução para o problema, começarmos a compreende-lo, a esclarecê-lo, então, nesse próprio processo aparece a solução. Não temos que procurá-lo fora do problema. É preciso ficar frente a frente com o problema. E para compreender um problema, se faz necessário fazer a pergunta correta. Isso fica explicito no diálogo ocorrido no primeiro contato entre Trinity e Neo. Acompanhe atentamente o diálogo:
(...)
Trinity: Olá, Neo.
Neo: Como sabe meu nome?
Trinity: Sei muita coisa sobre você.
Neo: Quem é você?
Trinity: Meu nome é Trinity.
Neo: Trinity. A famosa? A que entrou na receita?
Trinity: Isso foi há muito tempo.
Neo: Jesus!
Trinity: O quê?
Neo: É que eu pensei que fosse um homem.
Trinity: Quase todos acham.
Neo: Foi você no meu computador. Como fez aquilo?
Trinity: No momento, só posso te dizer que você corre perigo. Eu te trouxe aqui para te avisar.
Neo: O quê?
Trinity: Eles te observam, Neo.
Neo: Quem?
Trinity: Por favor, ouça. Sei por que está aqui, Neo. Sei o que anda fazendo. Sei por que mal dorme, por que mora sozinho e por que, noite após noite, senta-se ao computador. |
Você o está procurando. Eu sei porque eu também já procurei a mesma coisa. E, quando ele me encontrou ele me disse que eu não estava procurando por ele, eu estava procurando uma resposta. É a pergunta que nos impulsiona, Neo. Foi a pergunta que te trouxe até aqui. Você conhece a pergunta assim como eu. |
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Neo: O que é a Matrix?
Trinity: A resposta está aí, Neo. Ela está à sua procura. E ela te encontrará. Se você desejar.
(...)
Nessa cena, Matrix nos mostra que, enquanto não fizermos a pergunta correta, estaremos fadados a enfretar um processo de contínuo conflito, perca de energia e busca por sistemas de fuga. Sem a pergunta correta, nunca estaremos preparados para responder a pergunta essencial que todos teremos de enfrentaer no momento derradeiro da passagem desta existência:
Você foi você mesmo? O que fez com os talentos que lhe foram confiados? |
| (Continua) |
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