MATRIX
Um estudo arquetípico sobre a
rede do pensamento condicionado
Capítulo XI
Sobre a fragmentação e a compreensão |
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| A atenção não é fragmentária como o processo mental, uma vez que todo processo mental está limitado pela ação do tempo. O tempo psicológico, as experiências são o nosso grande empecilho para a compreensão. O tempo psicológico é que nos faz ver a vida de forma fragmentada e, portanto, está sempre contra nós, sempre criando contradição. Quando examinamos uma coisa mentalmente, esse é um processo fragmentário. |
O tempo está sempre contra nós |
| No entanto, quando ocorre a compreensão, nessa compreensão está toda a nossa mente, todas as nossas emoções, nosso corpo, todo nosso ser. Estamos quietos, e nessa quietude é que chegamos a compreender por nós mesmos. |
| A compreensão, evidentemente não pode resultar da fragmentação; e quase todos nós pensamos de maneira fragmentária, todas as nossas relações na vida são fragmentárias. A cena em que Neo está preso na cadeira, olhando para um espelho fragmentado, mostra que todos nós, psicologicamente estamos fracionados, e que com esses fragmentos de nós mesmo é que olhamos a vida. |
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| Assim sendo, o exame ou a exploração mental é fragmentada, superficial, e não pode produzir a compreensão. Quando Neo “toca” o espelho já sem a fragmentação, nos mostra que a nossa necessidade é estabelecer um “contato emocional direto com o fato”, e isso requer que dele nos aproximemos de maneia negativa, ou seja, sem a obsessão de nenhuma opinião, de nenhum preconceito. |
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| Existe uma enorme diferença entre o exame mental de um fato e a compreensão de um fato. O exame mental do fato não leva a parte alguma. Mas a compreensão nascida do exame negativo do fato – sem opinião nem interpretação – essa compreensão nos “encorpora” com uma tremenda energia para enfrentarmos o fato, que inicialmente chega a nos causar medo. Sem a menor sombra de dúvidas, a maioria de nós tem necessidade dessa energia. Temos abundância de energia física, mas, para enfrentar um fato psicológico, requer-se extraordinária energia de uma qualidade diferente, e essa energia nos é negada quando nos aproximamos do fato pela via do hábito – hábito de associação, hábito de palavras, hábito de pensamento. Dessa maneira, o fato permanece, e o intelecto fica separado do fato. Isso naturalmente ocasiona contradição, conflito, medo, a tendência de retorno e, por conseguinte, dissipação de energia.
Isso é demonstrado na cena seguinte em que Neo toma a pílula vermelha. Vejamos os diálogos:
(Neo escolhe a pílula vermelha e a engole sob o olhar realizado de Morfeu)
Morfeu: Siga-me... Apoc, estamos conectados?
Apoc: Quase.
Morfeu: O tempo está quase sempre contra nós. Por favor, sente-se aqui... |
Neo: Você já fez isso antes (dirigindo-se para Trinity, que lhe afirma com um olhar. Aqui Neo quer se certificar do “hábito”, busca pela segurança psicológica do conhecido)
Morfeu: A pílula que tomou é parte de um programa. Ela interrompe seus sinais portadores, para que possamos localizá-lo. (os sinais portadores significam os hábitos, os condicionamentos) |
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Neo: O que isso significa?
Cypher: Significa “aperte o cinto, Dorothy porque Kansas vai sair do mapa”.
Neo, com medo, começa a olhar para sua imagem fragmentada num espelho estilhaçado e, aos poucos, a fragmentação começa a se desfazer. Sem compreender o que se passa, vira-se para Morfeu e pergunta:
Neo: Você...
Morfeu: Você já teve um sonho, Neo, que parecia ser verdadeiro? E se você não conseguisse acordar desse sonho? Como você saberia a diferença entre o mundo dos sonhos e o mundo real? |
Neo: Não pode ser... (a compreensão começa a se espelhar em seu corpo até se tornar visceral, interna)
Morfeu: Não ser o que? Ser Real?
Trinity: Iniciando a cópia.
Morfeu: Apoc? |
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Apoc: Nada ainda.
Neo: Está frio. Está frio!
Morfeu: Tank, precisamos de um sinal logo.
Trinity: Temos um fibrilação.
Morfeu: Apoc, localização.
Apoc: O alvo está quase lá.
Trinity: Ele vai ter uma parada.
Apoc: Feche. Consegui.
Morfeu: Agora, Tank, agora! |
| Estes diálogos mostram que a grande maioria de nós parece pensar que o penetrar profundamente em si mesmo é um problema dificílimo, e que provavelmente não vale a pena fazê-lo. Ainda que possamos estar completamente insatisfeitos com a superficialidade de nossa existência, sentimos não possuir a necessária técnica, o modus operandi, para penetramos muito profundamente naquele vasto e maravilhoso mundo – se tal mundo existe – que não é |

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constituído de meras palavras e símbolos, de idéias emocionais e das criações imaginárias do intelecto.
Matrix nos mostra que precisamos descobrir juntos o que é isso que dá profundeza de discernimento, uma clareza de percebimento em que não existe confusão, nem luta pelo preenchimento – uma existência que não representa fuga à vida. |
| (Continua) |
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