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MATRIX
Um estudo arquetípico sobre a
rede do pensamento condicionado

Capítulo XVIII

Sobre as amarras das influências

O condicionamento é a raiz do medo e onde o medo está presente, não pode haver liberdade, nem inteligência. Para que possa ocorrer o despertar da inteligência amorosa e criativa, toda e qualquer amarra de influencia que nos mantém atados aos condicionamentos da rede de pensamento coletivo deve ser arrebentada.

Todos nós fomos criados para crer ou não em um determinando deus, para repetir certas coisas todos os dias. O filme Matrix nos proporciona através destas cenas as seguintes questões:

Será possível para uma mente, influenciada por tantos anos de tradição libertar-se de suas amarras de forma completa, sem esforço algum?

Será possível para a mente, não aceitar, não confiar em autoridades psicológicas, não se deixar influenciar de modo algum?

Para a mente que deseja compreender o que é verdadeiro e saber se existe o “indenominável”, toda espécie de autoridade psicológica deve acabar. Mas isso não significa uma espécie de complacência para a continuidade de qualquer tipo de comportamento insano e destrutivo.

Significa que a mente rejeita toda forma de autoridade psicológica, toda autoridade das experiências do passado morto, que é conhecimento, que é palavra e que rejeita todas as sutis formas de influência. Só essa mente pode ter o despertar da Inteligência amorosa criativa.



Matrix nos mostra que temos de mergulhar profundamente em nós mesmos, com imensa energia; a energia que nos faz ver todo o mecanismo dos condicionamentos, das influências da rede de pensamento. Somente quando se chega até esse ponto é que a mente, tal qual a conhecemos, pode deixar de existir. Só nesse estado a mente pode viver o real, ser criadora, no verdadeiro sentido da palavra.
Matrix nos mostra que esse estado de criação, a que muitos chamam de deus, ou de verdade, ou de qualquer outro nome, não é apenas para os escolhidos. Não é apenas para os indivíduos dotados de alguma capacidade ou certo dom. Mostra que esse extraordinário sentimento de imensidade, de algo que não conhece obstáculo e nem fronteiras, que não pode ser medido pela mente ou expresso em palavras, está a disposição e ao alcance de todos.

Porém, não é um resultado. Esse estado nasce quando a mente começa pelo que está mais próximo, ou seja, por si mesma. O aprendizado do autoconhecimento, do conhecimento do “eu”, significa abri-lo, examiná-lo, ver o que ele é, e não, pela busca de algo fora de nós.

Nestas cenas, Matrix nos convida ao descobrimento de nossos condicionamentos, tanto os conscientes quanto aos “submersos” e a deles sair através de um estado de “elevação”, “Sair” é apenas expressão verbal: pois quando a mente se vê condicionada e compreende e vê por si mesma todo o mecanismo desse condicionamento da rede do pensamento, então, de repente, ela se encontra “do outro lado”, que Matrix denomina através das falas de Morfeu: “O mundo Real”.

(Continua)
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