<%@LANGUAGE="JAVASCRIPT" CODEPAGE="65001"%> MATRIX
MATRIX
Um estudo arquetípico sobre a
rede do pensamento condicionado

Capítulo III

Sobre a tendência ao ajustamento
e ao conformismo

A mente que se ajusta é uma mente morta. Esta é a primeira coisa que precisa ser percebida. A mente que se submete seja aos ditames da sociedade, seja à opinião do patrão, do vizinho, dos familiares, ao sistema de crenças, ou outra estrutura qualquer de autoridade psicológica, nunca pode ser plenamente sensível e, portanto, saudável. A mente que se submete a um padrão – e isso é uma forma de disciplina – essa mente não é tranqüila, porém, apenas, insensível. Esta é a primeira coisa que se precisa compreender profundamente e, talvez por isso, esteja logo no inicio do filme.

Atrás de nossa submissão, encontra-se o desejo de segurança psicológica. A mente que busca segurança nunca pode ser uma mente livre; e só em liberdade, completa liberdade psicológica, que pode existir a tranqüilidade mental.

A questão do perigo do ajustamento e o conformismo à estrutura autoritária psicológica é bem exemplificada no filme Matrix, na cena em que Neo é chamado na sala do presidente da empresa em que trabalha, a Metacortex. Acompanhe o diálogo:

Chefe: Você não aceita autoridade, Sr. Anderson. Você se acha especial, como se as regras não se aplicassem a você. Obviamente está enganado. Esta é uma das maiores empresas de software do mundo porque cada funcionário entende que faz parte de um todo. Logo, se um funcionário tem problema, a empresa tem problema. Chegou a hora de fazer uma escolha, Sr. Anderson.

Ou você escolhe estar na sua mesa no horário a partir de hoje ou você escolhe achar outro emprego. Eu fui claro?

Neo: Sim, Sr. Rhineheart. Perfeitamente claro.

Nessa cena, pode-se notar que a ainda frágil sensibilidade de Neo, atrapalha que ele escute com toda propriedade os dizeres de seu chefe. Seus ouvidos estão muito mais atentos ao som proveniente da fricção da borracha sobre a vidraça com espuma. Seu patrão não se sente nem um pouco incomodado com o som; ele é a representação de uma mente embotada, rígida e, portanto, insensível.
Ele também representa toda forma de influência autoritária psicológica para que nos ajustemos ao modo de vida padronizado, mecânico da sociedade, que faz do ser humano uma máquina de produção em série, totalmente descartável. Pode-se perceber que, de modo vacilante, Neo tenta se acomodar em seu “cubículo”, que mais parece uma cela, sendo resgatado da mesma, através de Morfeu, o observador.

Outro fator interessante nessa cena é quando Neo, com um visível olhar inconformado, recebe a entrega do envelope, através do FedexMan. O rosto do entregador não é focalizado diretamente, mas sim, o envelope com a mensagem. Seria talvez uma analogia de que o mais importante é a mensagem e não o mensageiro?

O nome da empresa onde Neo trabalha – METACORTEX - também é uma excelente metáfora. Ela é formada pela junção de duas palavras: Meta + Córtex. Vejamos seus simbolismos através do dicionário Aurélio:

Meta.  [Do lat. meta.]
cortiça: arco, cordel ou qualquer outro sinal que indica ou demarca o ponto final das corridas (de pedestres, de cavalos, de regatas, etc.) Baliza, barreira, marco, limite, alvo, mira, objetivo, termo, limite, fim.  

Córtex. [Do lat. cortex (nom.).]
Camada externa de todos os órgãos animais ou vegetais, de estrutura mais ou menos concêntrica.

Boa parte da raça humana encontra-se somente na camada externa, tendo como ponto final de suas corridas, como alvo, como objetivo e fim, a busca da segurança financeira. Matrix traz uma nova imagem para as frases de Henry Ford: Se o dinheiro for a sua esperança de independência, você jamais a terá. A única segurança verdadeira consiste numa reserva de sabedoria, de experiência e de competência.

Metacortex é o prédio que simboliza a inversão de valores: hoje em dia, a ocupação principal do homem não é a de se tornar consciente de seu verdadeiro propósito na vida; todas as ocupações que deveriam ser secundárias em relação ao interesse essencial, passaram a ser a sua “meta cerebral”. A rede do pensamento é atualmente produto da ganância e, portanto, transitório, pelo que não pode entender o eterno. Pois aquilo que pode compreender o imortal precisa ser também imortal. O pensamento somente pode ser compreendido através do transitório. Isto é, o pensamento nascido da ganância é transitório, e tudo quanto ele cria, deve, seguramente, ser também transitório, e enquanto a mente estiver presa ao transitório, dentro do círculo da ganância, não pode transcender-se a si mesma. No seu esforço para vencer, a rede do pensamento cria outras resistências, e nelas fica presa cada vez mais.

Como nas palavras de Eckhart Tolle, no livro “O Poder do Agora”: Infelizmente, todos que ainda não encontraram a verdadeira riqueza - a radiante alegria do Ser e uma paz inabalável - são mendigos, mesmo que possuam bens e riqueza material. Buscam do lado e fora, migalhas de prazer, aprovação, segurança ou amor, embora tenham um tesouro guardado dentro de si, que não só contém tudo isso, como é infinitamente maior do que qualquer coisa oferecida pelo mundo”.

(Continua)

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