<%@LANGUAGE="JAVASCRIPT" CODEPAGE="65001"%> MATRIX
MATRIX
Um estudo arquetípico sobre a
rede do pensamento condicionado

Capítulo VI

Sobre o fim do conflito e a energia criativa

O filme Matrix levanta a questão se a mente pode, ou não, libertar-se de qualquer espécie de conflito. É possível para nós ficarmos totalmente livres do conflito? Ou a vida tem de ser, inevitavelmente, uma luta perpétua, do nascimento a morte? Luta contradição, conflito dos opostos – se admitimos que tudo isso é inevitável, o problema então é de como tornar o conflito mais suave, o mais “espiritualizado” possível. Isso é o que tenta a maioria das instituições espiritualistas e religiões: tentam “espiritualizar” o conflito e não “eliminá-lo” pela sua total compreensão.

O insano processo de tentar “espiritualizar” o conflito interior não resolve o problema psicológico, porque o conflito continua existente; e o conflito é sempre destrutivo. Por mais sutil e “espiritualizado” que se torne, por mais “cientifico”, “sofisticado”, analisado ou racionalizado, o conflito torna a mente embotada e estúpida. Torna a mente incapaz de transcender a si própria, ou seja, incapaz de transcender a rede do pensamento condicionado.


Representação do conflito psicológico

A questão apresentada pelo filme Matrix é: podemos ficar livres do conflito sem as amarras do método, sistema ou programa? Matrix deixa claro que enquanto se está condicionado a um sistema, método ou programação, se está igualmente preso no conflito psicológico, entre o que se é  e o que pensamos que deveríamos ser. Quem sou eu? Sou Anderson ou sou Neo?

É impossível eliminar completamente esse conflito? É mais do que claro que o conflito torna a mente velha, insensível, embotada. O conflito está firmemente arraigado em nós, em diferentes níveis, superficial e muito profundamente. Matrix nos faz a seguinte pergunta: É possível viver neste mundo – psicologicamente e, por conseguinte, exteriormente sem conflito de nenhuma espécie?  

Para uma questão séria como esta, Matrix deixa claro que não há resposta “sim” ou “não”. Há apenas um processo de investigação, o qual revela o que é verdadeiro e o que é falso. Esses despertar, essa percepção é muito mais importante do que o achar uma resposta. Não há solução para nenhum problema psicológico. Só há solução para problemas mecânicos. Um problema psicológico tem de ser investigado, penetrado profundamente, por nós mesmos; e conforme olhamos, investigamos, percebemos, o problema desaparece. Deixa de ser uma carga, um peso, estamos livres dele. O inteiro processo da rede do pensamento, tal como o conhecemos cessa e, então, talvez, apresenta-se algo totalmente novo.

Isso fica bem claro na cena em que Neo, abraçado com Trinity, sobem sobre o elevador e o pensamento tenta criar um problema para Neo, então, ele lembra-se de observar a falsidade do problema, da falsidade da “colher” e ao se conscientizar, atira nos cabos do elevador, deixando “seu peso”, “sua carga” – a carga do problema – para traz.

Matrix nos mostra que se nenhum conflito temos, há ao nosso dispor uma extraordinária carga de energia. Isso é um fato. A maior parte de nossa energia se dissipa no conflito, na incessante batalha que travamos dentro de nós mesmos e com nossos semelhantes. Se esse conflito termina, o que acontece com essa energia enormemente acrescentada? Obviamente, isso cada um descobrirá por si mesmo, quando o conflito terminar, se isso alguma vez acontecer.

O surgimento dessa energia é bem representado na cena em que Neo, já livre dos condicionamentos, atravessa o centro do agente Smith (centro do pensamento) e dentro dele em forma de luz, de energia, onde cada pensamento, cada sentimento se consome inteiramente nessa energia.

E essa energia, então, é tranqüilidade total. Nessa tranqüilidade há um movimento tremendo, um movimento não relacionado ao tempo; e isso é criação, é Deus, ou o nome que você preferir usar.
(Continua)
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