O IMPULSO VITAL CRIADOR À LUZ DO MITO DE DÉDALO E DO LABIRINTO DE CRETA (*)

(*) Para ler este artigo é sugerido que se leia primeiro o mito DÈDALO-MINOS-TESEU.

Por: Solange Ramos Esteves

Historicamente, o período caracterizado pela civilização grega pode ser visto como um momento da humanidade em que começa a ocorrer, mais definidamente, um distanciamento entre o homem terreno e sua porção divina. De um lado, o surgimento de tantos semi-deuses e, de outro, a lógica aristotélica como uma técnica de pensamento são apenas dois sinais de uma era em que, chegando até os dias atuais, a humanidade, por assim dizer, desdenha uma provável origem divina de todo o existente, incluindo o próprio homem.

Poderíamos, por outro lado, considerar como “porção divina” a própria Natureza da qual fazemos parte, sendo que o desrespeito às leis que regem o mundo natural configura-se como o distanciamento acima mencionado. De novo estendendo o olhar de lá até os dias atuais, chegaríamos, por exemplo, às tentativas “científicas” de reprodução da vida, conhecidas como clonagem.

O mito de Dédalo e do Labirinto que ele teria construído, tomado como uma pequena amostra de toda a mitologia grega, nos mostra exatamente o que pode acontecer com o homem quando seu ato criativo se afasta do impulso vital original e ele se deixa dominar por sentimentos como a inveja. Indo um pouco mais além, mostra, igualmente, o que acontece com o homem quando este seu ato criativo é submetido às leis do poder terreno, afastando-se das leis que chamamos, anteriormente, de naturais.

Tomando as palavras criar, criação, criador, criança e criatividade em sua raiz latina, temos ‘tirar do nada”. Aliás, a palavra latina é creare e nela reconhecemos a forma antiga dessas mesmas palavras – crear, creação, creador, creança, creatividade. E aí nossa “história” fica mais interessante, porque nelas reconhecemos a palavra grega kreas, kreator que significa carne a qual vamos encontrar na palavra creatina e sua derivada creatinina. Estas, por sua vez, designam uma substância encontrada no suco muscular, no plasma sangüíneo e na urina (no caso da creatinina). Tudo conduzindo ao ato de tirar do nada e dar substância – carne – a algo.

Alimentando a criança interior

Olhando para o mito de Dédalo, percebemos que numa primeira fase de sua vida ele se entregava ao ato de criar/crear a partir de uma experimentação despojada, sem amarras e, nessa fase, o produto de seu trabalho estava sempre vinculado a facilitar a vida de seus contemporâneos. Nessa fase, ele trabalhava com seu jovem sobrinho sem que nenhuma dificuldade sobreviesse. E, é impossível deixar passar despercebido o fato de que atribui-se a ele a utilização do mercúrio em peças de argila porque esse metal parecia “dar-lhes vida”. Metal, planeta e divindade que nos conduziriam a um outro mito. Mercúrio, Hermes e Rafael, diferentes nomes para uma mesma potência que rege criatividade, comunicação, cura, dinheiro, comércio e o lado “trikster” – brincalhão e despreocupado.

Seguindo a trajetória do mito, nos deparamos com a perda da vitalidade criadora quando Dédalo sente a “pontada” da inveja. Podemos olhar para Talo, seu sobrinho, como o lado jovem que busca, pesquisa, investiga e descobre, sendo que é esse lado em Dédalo/Ser Humano que começa a minguar, murchar, morrer.

E quem, nos dias de hoje, não passa por essa experiência: tratar somente das “coisas sérias de adulto”, reprimindo o lado creança, creador, creativo? E o pior é que insistimos, teimamos em querer resolver tudo a partir de uma pseudo compreensão intelectual e quanto mais insistimos, mais doentes ficamos. Sim! Perder a vitalidade é ficar doente tanto da alma - porque Dédalo se consome na inveja, no crime, na culpa e na mentira (afinal é melhor matar o que, por sua vez, insiste em querer se manifestar) quanto do corpo. A humanidade contemporânea tem sido cada vez mais “criativa” na produção de doenças, as quais são, nada mais nada menos do que a “versão” física dos males da alma, cabendo a cada um que adoece buscar, neste momento, a sua fonte de aprendizado. Quando um distúrbio se manifesta no corpo, já fez um caminho anterior sem que a pessoa o percebesse.

A vida como espelho do nosso mundo interior

E o que acontece a Dédalo após assassinar o sobrinho? É muito importante olharmos para isso pois se trata de um belíssimo exemplo de como funciona a Lei de Causa e Efeito, ou da Ação e Reação ou Karma – cada um sinta-se livre para denominá-la como quiser.

“Dédalo passa a ser uma mera sombra do que fora”. Julgado, condenado e preso, foge da prisão em Atenas e, a partir daí, viverá até o final de seus dias colocando sua inventividade e engenhosidade a serviço dos poderosos que encontra em sua vida errante. Seu nome ficará para sempre ligado a Minos, o poderoso rei de Creta, para quem constrói o Labirinto, no qual Dédalo recebe a incumbência de prender o Minotauro, mas no qual é aprisionado com seu filho Ícaro. Como agravante, por assim dizer, foi ele quem “construiu” a vaca de madeira na qual a esposa de Minos, a rainha Pasífae, penetrou para entregar-se à sua avassaladora paixão pelo belo touro branco, presente de Poseidon a seu esposo-rei. Se tudo em um mito fala de nossa alma, esse episódio também merece nossa atenção. O presente do deus do mar para Minos – o touro branco – deveria ser sacrificado em sua honra. Mas o poderoso rei era um ser humano e, enquanto tal, fraco. Considerou o animal belo demais para ser sacrificado e o “escondeu” do Deus. A tolice foi castigada com a paixão que se abateu em Pasífae pelo animal.

É assim. Dédalo aponta para o nosso lado adulto que mata a criança. Minos aponta para o nosso outro lado que pensa ser adulto e comete a infantilidade de achar que vai esconder algo de um Deus. O que no mito aparece como castigo é apenas conseqüência de nossos próprios atos. E não há uma explanação “moderna” sobre a Lei de Causa e Efeito que não cite o exemplo da criança que põe o dedinho na tomada e leva um choque! Na Grécia, a compreensão da eletricidade ainda estava reduzida ao raio de Zeus!

A criação desligada do impulso interno

Voltemos. Dédalo é “obrigado” a construir a vaca de madeira e o labirinto a mando de Pasífae e Minos. Suas criações, agora, obedecem a desejos estranhos á sua natureza investigadora. Não são mais o fruto do seu impulso vital criador. A rainha Pasífae não era uma “vaca”. Sem considerarmos o lado pejorativo – “moderno” – do termo, constatamos aí um tremendo afastamento do lado natural da vida. E, quando o ser humano se afasta de si próprio, a conseqüência é uma aberração, algo pior que o animal. O mito não fala de num ato violento do touro. Mas a ação de Pasífae sobre ele provoca o nascimento de um ser tão violento que precisa ser encerrado num “labirinto”. E é justamente a inteligência de Dédalo que é novamente colocada em ação. Sobre ele recaiu, evidentemente, a ira de Minos. A respeito do labirinto por ele construído, pode-se dizer, então, que “o objeto de arte aprisiona o artista que não parte de sua necessidade fundamental de expressão. Este objeto (no caso o labirinto) pode ser descrito como um presídio complexo de ruas cruzadas e rios aparentemente sem embocadura que é a representação da mente do artista cujo gênio foi escravizado, criando segundo as exigências de seus dominadores, abandonando, assim, o motivo básico de sua inspiração”.

Nesse ponto, cabe a pergunta: quem, de fato, eram os dominadores de Dédalo, senão seus antigos sentimentos e atos – a inveja, o crime, a culpa, a mentira?

No labirinto, Dédalo tem novamente ao seu lado um jovem, dessa vez seu próprio filho Ícaro. Juntos constróem as asas de cera e penas, mais um fruto da inteligência deste engenheiro que havia se perdido em um outro labirinto – o próprio labirinto da vida. Se é bem verdade que a imagem de criar asas e voar fala da possibilidade que todo Ser Humano/Artista tem de recuperar sua liberdade criadora, de novo Dédalo desrespeita as leis da Natureza. Seres humanos não são pássaros! E ele vê seu filho cair porque o Sol lhe derretera a cera das asas. Dédalo, agora, perde seu filho/fruto. Para continuar “navegando” nas imagens do mito, podemos olhar para esse fato como uma “correção”, pois a mãe de Ícaro era uma escrava de nome Náucrate, ou seja, poder do mar.

Se o ato criativo do homem só pode conviver com a liberdade criadora, é bem verdade que essa liberdade não pode colocar o homem acima da Vontade Criadora do Universo. Dédalo e Ícaro escapam do labirinto, mas não dessa Vontade Maior. E, o que é talvez pior, Dédalo escapa e deixa o Minotauro dentro do labirinto. Poderíamos, dizer, portanto, que ele nos mostra um lado criativo, inteligente, inventivo totalmente irresponsável. Não falam a seu favor as imposições de “reis e rainhas”.

Fica, aqui, uma indagação que será retomada mais adiante. Se está claro quem são os “dominadores” de Dédalo, quem deveriam ser seus verdadeiros “reis”?

Dédalo e Teseu: pontos comuns às diferentes possibilidades de entrar no Labirinto e dele sair Voltando à fuga: quem deverá destruir o monstro? Entra em cena Teseu, esse personagem que nos permite puxar “outro fio” a partir do mito. Aparentemente, estamos diante de algo menos complexo. Já que o Minotauro recusava os alimentos que lhe eram colocados através de “frestas” existentes nas muralhas e exigiu carne humana, o rei Minos aproveitou a oportunidade para endurecer com o rei de Atenas, Egeu, com quem estava em guerra, exigindo-lhe como tributo o envio de sete varões e sete virgens todo ano. Esse terrível flagelo chega ao fim quando o próprio filho do rei, Teseu, atinge a idade de ser enviado para Creta. O príncipe jura matar o monstro e libertar Atenas e seu povo de tão humilhante sacrifício. Ariadne, filha do próprio Minos, apaixona-se pelo filho do rei inimigo de seu pai e decide ajudá-lo, entregando-lhe o famoso fio – o “fio de Ariadne” - que permitirá a Teseu encontrar o Minotauro, matá-lo, salvar a si e aos demais jovens e escapar do labirinto com vida. Teseu e Ariadne permanecem juntos até que ele a abandona na ilha de Naxos.

Olhemos para essa parte do mito e tentemos tirar daí as lições que podem nos ajudar a penetrar um pouco mais na questão do “impulso vital criador à luz do mito de Dédalo e do Labirinto de Creta”.

Se com Dédalo nos confrontamos com o ser humano individualmente considerado, com Teseu entram em cena os laços sociais e afetivos. De certa forma, salvar Atenas e seu povo pode ser equiparado à fase inicial da vida de Dédalo, quando ele criava para facilitar o trabalho dos cidadãos de seu tempo. O dado novo é o amor de Ariadne. No entanto, Teseu a abandona, e seu próprio mito vai nos mostrar sua ligação com Antíopa, a rainha das amazonas, com quem tem um filho, também bastante conhecido, chamado Hipólito. Teseu acabará abandonando Antíopa, casando-se com Fedra, irmã de Ariadne e todos nós sabemos que o final dos três – Teseu, Fedra e Hipólito – foi bastante trágico.

Ou seja, se considerarmos que Teseu aliou-se a Ariadne com a finalidade de levar a cabo sua missão, ele teria reduzido o amor à questão política e nada do que lhe sobreveio foi honroso. Vale dizer que a trajetória deste “herói”, até chegar a Creta, foi toda marcada por lutas que venceu através de vários estratagemas.

Antes de prosseguirmos, seria muito interessante, olharmos um pouco mais para as duas formas de “entrar no labirinto”. Quando Dédalo entra pela primeira vez, é para prender o Minotauro. Ele não entrou sozinho, portanto. Quando é aprisionado, seu filho é levado junto. Teseu entra com mais treze. Anteriormente, vimos que o labirinto pode ser considerado como a representação da mente do artista. Com isso, estamos dizendo que ele representa algo existente em um mundo “interno”. A definição de labirinto a partir das duas palavras que o compõem também já nos aproxima dessa compreensão: o lugar de atuação da divindade máxima.

O encontro com a Divindade Máxima, portanto, exige muito trabalho. O ato criativo/creativo – tirar do nada e dar forma/substância – é um ato realizado a partir do Divino em nós. É preciso abandonar as aberrações que criamos ou ajudamos a criar. E talvez por isso mesmo, o ato criativo, embora íntimo e solitário, não é para aquele que o cria. É para toda a Humanidade, representada no mito pelos quatorze jovens – rapazes e moças. Integrar-se/reintegrar-se à Divindade Máxima, é religar-se ao UNO, fonte de tudo e de todos.

É importante, portanto, ressaltar que uma coisa é entrar no labirinto e outra é dele sair. Muitos sequer saem e a forma de sair merece toda a nossa atenção. A saída “por cima”, com asas “fabricadas”, deixando o Minotauro para trás, só nos conduz a cair mais adiante. A saída de Teseu, aliando-se interesseiramente a alguém, apenas adia um final igualmente trágico.

O Labirinto dentro do corpo humano

Há, ainda, algo muito interessante. Se tomarmos a mente em sua “sede” física, chegamos ao cérebro que é extremamente semelhante a um labirinto. Mas em nosso corpo há outro órgão semelhante ao cérebro na forma, e a ele ligado por sua função – o intestino. O intestino é uma importante “usina” interna; é nessa região do corpo que se separam as substâncias que serão eliminadas e as que serão aproveitadas, recomeçando um ciclo que envia energia para o alto, fornecendo as bases para o funcionamento do cérebro.

Temos, assim, os mais diferentes níveis do Ser Humano religados ao UNO. A energia vital, para ser alimentada internamente, precisa de uma vida de sentimentos limpa. Se tudo estiver fluindo bem entre a vida de sentimentos e a energia vital, na outra extremidade, o corpo físico estará funcionando bem. Se o interior estiver bem, o exterior também o estará. Sem dominadores internos, não aparecerão os externos.

Se o Ser Humano é um micro cosmos e se o labirinto é a imagem para o seu interior, os “sete” mais “sete” poderiam ser os sete órgãos principais, todos eles imagem dos planetas que, na Grécia, recebiam nomes de Deuses:

Coração Sol Apolo
Pulmão Mercúrio Hermes
Fígado Júpiter Zeus
Rins Vênus Afrodite
Vesícula Marte Marte
Baço Saturno Cronos
Cérebro/órgãos de reprodução Lua Ártemis

Essa é apenas uma hipótese. Nela, o intestino seria regido por Mercúrio. Não nos esqueçamos de que em todas as mitologias essa Força Cósmica tem a função de comunicação entre “o que está em cima e o que está embaixo”. Já nos aproximamos de Mercúrio/Hermes/Rafael, quando comentamos sobre a utilização do metal mercúrio por Dédalo. Esses nomes correspondem às compreensões grega, egípcia e judáico-cristã.

Rapazes e moças representariam não apenas o homem e a mulher, mas o masculino e feminino em cada ser humano e em cada um de seus órgãos.

Entrada e saída em uma ótica respeitadora do SER ESSENCIAL

Se estamos assim tão próximos de uma abordagem do labirinto como o contato mais íntimo que um ser humano pode ter consigo próprio, envolvendo todos os níveis de seu SER, e se Dédalo e Teseu representam alternativas que se mostraram insuficientes, que lição podemos tirar do mito hoje?

Algumas histórias têm o assim chamado “final feliz” que, do ponto de vista de uma psicologia profunda, aponta o caminho do Encontro Final entre o Divino e a Alma no Homem. Mas, as histórias como essas sobre as quais estamos nos debruçando nos mostram o que NÃO devemos fazer. A Grécia nos presenteou, portanto, com o desenrolar de todo um caminho da humanidade, deixando-nos claro, também, quais seriam suas conseqüências.

Se compararmos o Labirinto de Creta, dentro do qual está o Minotauro, com o Hades, o mundo das sombras para os gregos, podemos encontrar semelhante ensinamento no mito de Orfeu que penetra neste reino para tentar resgatar sua Alma/Eurídice, mas desobedece as ordens dos seus governantes, Hades e Perséfone, perdendo, assim, para sempre, sua amada.

Haveria uma saída “honrosa” – de novo não no sentido pejorativo - mas em seu sentido real de honrar o Altíssimo que podemos encontrar se penetrarmos corretamente no labirinto? Aliás, se o construirmos não para nele aprisionar nossas aberrações, até porque se nós as produzirmos, queiramos ou não teremos que enfrentá-las e a história recomeça.

É nesse ponto que retomamos o outro “fio” da lenda do labirinto. Haveria um labirinto, não apenas em Creta, mas em muitas outras localidades do planeta, que era construído em praça pública. Nele eram realizadas algumas celebrações ligadas aos ciclos da própria Terra nas quais o Sol era venerado como a Divindade Máxima. Nas celebrações que se realizavam ao longo do ano, o Sol era uma criança que nascia em pleno Inverno. No mais escuro nasce a Luz. Esse ritmo, que fala do caminho da própria Luz que vai e vem, assegurando a vida para todos os seres viventes, era e é o ritmo saudável com o qual devemos nos reencontrar, não em atitude de submissão a uma força natural, mas na consciência de que somos, cada um de nós, LUZ. De novo voltamos ao UNO.

E podemos retornar, também, à pergunta sobre quem são os verdadeiros reis a quem devemos servir. Vimos que no mito podemos reconhecer o nosso nível físico, o vital e o anímico (entendido, aqui, como os sentimentos). Para selar a compreensão do UNO em cada SER, podemos considerar que a Divindade Máxima, o SOL, a LUZ, em nós é o quarto elemento ou nível. O Rei e/ou a Rainha a quem devemos servir. Se Dédalo se deixou dominar pela inveja, a culpa e a mentira, e se consideramos que estes sentimentos se exteriorizaram em dominadores na forma de reis e rainhas para os quais ele teve que produzir coisas que o afastaram cada vez mais de si mesmo, ao olharmos para o labirinto como uma possibilidade de penetrarmos profundamente em nós mesmos, em mergulharmos nas profundezas de nosso SER, “honrando o Pai e a Mãe”, estamos falando de uma caminho creativo que abarca toda a nossa existência, todos os nossos atos nessa vida – de uma receita de bolo à geração de um filho. E, o maior ato criativo/creativo que podemos consumar é o de dar nascimento a um novo SER dentro de nós mesmos. O Rei e a Rainha geram a Criança Divina em nós, em profundo Amor.

Se quisermos falar especificamente do que chamamos de arte – pintura, escultura, desenho, e também as mais modernas como cinema ou computação gráfica – vamos nos reencontrar com essa expressão eminentemente humana, recolocada a serviço da Divindade Maior, do bem estar de toda a humanidade, verdadeiramente a serviço de “todos os cidadãos” do nosso tempo.

Esse Caminho de respeitar o que é natural e suas leis e, ao mesmo tempo, elevar-se ao Divino é a tarefa a ser levada a cabo por todo ser humano nesse momento da nossa evolução enquanto humanidade. Voltar as costas para ela é permanecer cego e isto os gregos também nos mostraram no mito de Édipo. Matar o pai e acasalar-se com a mãe é comum entre os animais. O homem, no entanto, deve “honrar o Pai e a Mãe” – palavras que precisam ser entendidas em seu profundo sentido espiritual. E é na cegueira espiritual que mergulha aquele que cria seus frutos no estado de separação/afastamento do UNO.

O que é criar a partir do impulso vital e espiritual?

É permitir que, através de si próprio, jorre a fonte de alegria, abundância e amor que está disponível para todos.

É vivificar todos os âmbitos, aspectos e níveis do Ser e da Vida.

É estar disponível para experimentar, perder-se, retomar, cair, levantar, examinar, combinar, recombinar, fazer, desfazer, refazer.

É ser humilde e aplaudir as descobertas do outro. Apoiá-lo, estimulá-lo.

É viver a diversidade no uno e o uno na diversidade.

“Nada do que fazemos, embora virtuoso, pode ser realizado sozinho; portanto, somos salvos pelo amor”. Reinhold Niebuhr in Coragem para Mudar (Publicação do Al-Anon, Irmandade que congrega amigos e familiares de Alcoólicos)

“O amor é um estado de consciência”. Maria Célia Guilherme, psicóloga do Centro de Vivências Cuidar do Ser.

Fontes:

Mitologia Clássica – 3 volumes. Fundação Vitor Civita.
Mitologia Grega – 3 volumes – Junito de souza Brandão. Ed. Vozes
O desenvolvimento das forças criativas através do Desenho de Formas Ativo. Rudolf Kutzli – Apostila.
Obras de Rudolf Steiner como Teosofia, Ciência Oculta, A Iniciação, Verdade e Ciência, Filosofia da Liberdade, entre outras. Ed. Antroposófica.
Terapia Artística – 3 volumes. Margarethe Hauschka e Paul van der Heide. Ed. Antroposófica.
Mulheres que correm com os lobos – Clarissa Pinkola Estés – Ed. Rocco

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