Estamos entrando
no período mais turbulento, mais excitante, mais desafiador
e mais critico da história da humanidade. Alcançamos
um estágio paradoxal da nossa evolução. Nosso
desenvolvimento está agora desafiando a continuação
de nossa sobrevivência. E, por trás desta crise global,
existe uma crise psicológica interna. Tudo o que criamos veio
do pensamento humano - e é portanto para o pensamento humano
que deveríamos nos voltar se quisermos encontrar a essência
do problema.
Ficamos presos na crença de que o mundo
material - o mundo que observamos através dos sentidos -
e a parte mais importante da nossa realidade. E presos também
na crença de que, se quisermosencontrar a felicidade que
buscamos, é para este mundo que deveriamos olhar. Se não
somos felizes, devemos mudar o mundo que nos cerca. Fazer com que
as pessoas tomem mais conhecimento de nós. Criar um futuro
mais seguro para nós mesmos. Controlar os fatos. Deduzir
que as coisasem que acreditamos nos trarão paz de espírito.
Estas afirmações jazem na base
do nosso amor pelo dinheiro - e lembrem-se de que Tomás (1,6:10)
declarou que o amor pelo dinheiro, e não o dinheiro em si, é a
raiz de todo o mal - pois o dinheiro nos dá os meios de trocar
o que temos pela promessa de uma felicidade maior. São essas
afirmações que nos levam a tratar os outros como inimigos,
a envenenar o ar que respiramos, a eliminar sem cuidado outras espécies
que compartilham conosco o planeta e a pilhar os recursos da Terra
viva. Exploramos o mundo buscando preencher o que no máximo é uma
ilusão.
Parece que esquecemos que o fato de sermos felizes
ou não interiormente é tanto uma questão de
como interpretamos o que vemos e de como julgamos isto. Pois se julgamos
que o que vemos é uma ameaça para nosso bem-estar,
isso nos perturbará. É
aprendendo a nos libertar de tais julgamentos que nos tornamos capazes
de estar em paz, não importando como o mundo possa ser.
Por estranho que pareça, a crença é a
antítese do desenvolvimento espiritual. Através de
nossas crenças nos fixamos em uma perspectiva particular da
realidade. Não
é bem 'ver para crer', é mais 'vemos aquilo em que
acreditamos'. Tendemos a filtrar as facetas da realidade que não
estão de acordo com nossa própria visão de como
são as coisas. E, agindo assim, perdemos a percepção
da totalidade. No entanto, o crescimento espiritual não tem
sido sempre uma consciência do todo - uma expansão de
nossa consciência?
Livrar nossa mente de suas restrições é,
e tem sido sempre, a essência do desenvolvimento espiritual.
Ela tenta ajudar-nos a nos livrar de nossos conceitos arraigados
- as coisas e as idéias a que nos apegamos. Ainda assim, paradoxalmente
- bem como tristemente - esta necessidade de segurança nos
leva a transformar os verdadeiros significados da libertação
em outras crenças. Transformamos nossas descobertas espirituais
em doutrinas e dogmas. Criamos uma nova igreja.
Parafraseando o Buda:
"Não acredite só porque eu disse que é assim.
Só quando o que eu disser estiver de acordo com a sua própria
experiência é
que você deve acreditar." O despertar interior tem a ver
com um distanciamento das crenças e convicções.
Tem a ver com a visão da realidade como ela é e não
pelas lentes das idéias preconcebidas.
Eis porque os ensinamentos espirituais frequentemente
buscam nos livrar de nossos preconceitos e idéias arraigadas
- livrar-nos de nossa crença de que
é através da salvação material que encontraremos
a paz interior que buscamos - livrar-nos das amarras de nosso ego.
A crença é
uma função do ego, não do nosso verdadeiro Eu.
O Eu não tem necessidade de crença: ele se conhece
perfeitamente. O despertar tem a ver com desprendimento de apegos
que porventura tenhamos com nossas crenças - conquanto espirituais
possam ser essas crenças - e com o experimentar a nós
mesmos conforme somos.
Esta é a verdadeira 'Nova Era' a que
todos aspiramos. Não uma nova era baseada em uma nova série
de crenças - uma nova série de doutrinas e dogmas religiosos
- mas uma era em que nossas mentes estejam libertas de preconceitos
e nossos corações estejam livres de julgamento. Tal
era seria realmente nova. |